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Economia

Consumidores fazem turismo de compras na Capital e esvaziam comércio de Sidrolândia

O presidente da Associação Comercial, Empresarial e Industrial de Sidrolândia, José Carlos Domingos, calcula que as vendas deste ano serão em média 10% menos que a de 2011.

Flávio Paes/Região News

24 de Dezembro de 2012 - 10:34

Enquanto na Capital as ruas, os shoppings, as lojas do centro e os supermercados estão fervilhando de consumidores retardatários que estão comprando presentes e os produtos típicos da ceia Natalina, as lojas de Sidrolândia estão vazias, com um volume de vendas praticamente igual ao do restante do ano.

Nem o oferecimento de prêmios (como o sorteio de uma moto e de um carro zero quilômetro), possibilidade de fazer as compras no domingo e até às 22 horas, seduziu a clientela. Ontem quem percorreu a Avenida Dorvalino dos Santos, a rua mais tradicional da cidade, constatou que na maioria das lojas, a cena mais comum eram vendedores de braço cruzados, sem ter a quem atender.

O presidente da Associação Comercial, Empresarial e Industrial de Sidrolândia, José Carlos Domingos, calcula que as vendas deste ano serão em média 10% menores que as de 2011, mas ainda acredita que o movimento tenha sido suficiente pelo menos para cobrir os gastos com a hora-extra dos funcionários.

“Sofremos a concorrência do comércio de Capital, que esta a menos de uma hora de Sidrolândia, em viagem de ônibus ou até menos, se for feita de motocicleta ou carro particular”, reconhece. Na sua avaliação o consumidor acaba preferindo comprar em Campo Grande, porque lá vai encontrar maior diversidade de produtos, inclusive alguns de grife, que o comércio da cidade não tem condições de oferecer.

“Não temos condições de ter uma variedade de estoque capaz de agradar todos os gostos. Muitas vezes, o comerciante, tem disponível, por exemplo, um ou dois pares de tênis de uma marca mais cara, que não são as cores do agrado do cliente. Na Capital as lojas têm condições de oferecer a linha completa até pelo fluxo muito maior de clientes que recebe. O empresário local não tem capital de giro suficiente para arcar com um estoque tão amplo”.

Ele garante que na média não há diferença de preços. “Além do que, os custos aqui são menores, não gastamos, por exemplo, com vale-transporte, alimentação dos funcionários, que podem usar bicicleta e almoçar em casa”. Contrastando com o baixo movimento no comércio, desde as primeiras horas da manhã a rodoviária está agitada pela presença de muita gente que vai viajar para Campo Grande ou outras cidades vizinhas, como Maracaju.

EricaMuitos vão passar o Natal com parentes que moram na Capital e aproveitarão para fazer umas compras. É o caso de dona Érica Ledema Nunes, 29 anos, residente no Jardim Paraíso. “Alguns produtos aqui chegam a custar até 60% mais caros”, garante, para justificar sua preferência pelo comércio da Capital, inclusive em relação às compras no supermercado.

“Gasto R$ 1.200,00 a cada três meses. Só compro na cidade, carne, verduras, coisas que podem estragar se não forem usadas rapidamente”, explica. Como periodicamente precisa levar o sogro para tratamento médico em Campo Grande, dona Érica também aproveita para fazer compras.