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ECONOMIA

Dólar cai a R$ 2,28 e Bolsa sobe mais de 1%, com alta da Vale e da Petrobras

O Ibovespa passa por uma correção técnica, já que na sexta não houve pregão, e as Bolsas americanas e europeias subiram - diz um operador.

O Globo

18 de Novembro de 2013 - 16:09

Depois do feriado de proclamação da República, na sexta, o mercado financeiro tem uma segunda-feira de ajustes.  O dólar comercial está em queda acentuada, enquanto o Ibovespa sobe mais de 1%. Às 12h07m o dólar comercial se desvalorizava 1,50% sendo negociado a R$ 2,285 na compra e R$ 2,287 na venda.

Na mínima do dia, o dólar foi negociado a R$ 2,280 (baixa de 1,8%), a maior queda da moeda americana frente ao real em um mês.

O mercado continua repercutindo o discurso da futura presidente do FED, o banco central americano (Federal Reserve) , Janet Yellen, que se mostra favorável à continuidade dos estímulos à economia, enquanto os indicadores, especialmente do mercado de trabalho, não mostrarem força. Notícias das reformas econômicas da China também animam os investidores.

O dólar recua no exterior frente a outras divisas, mas a queda no mercado doméstico é intensificada com os leilões de swap cambial tradicional que o Banco central realiza.

É uma operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro. Pela manhã, o BC ofertou 10 mil contratos, o equivalente a US$ 500 milhões. À tarde, ocorrerá mais um leilão, este de rolagem de contratos que vencem em 2 de dezembro.

Desde a semana passada, o BC vem rolando esses papéis, que são usados como hedge (proteção contra as variações do dólar). No leilão de hoje, o BC ofertará mais 20 mil contratos, o equivalente a US$ 1 bilhão. Até agora, o BC já rolou US$ 3 bilhões dos US$ 10,1 bilhões que vencem em dezembro.

O mercado trabalha com a possibilidade de que o BC renove a totalidade dos vencimentos. Operadores de câmbio avaliam que a pressão sobre o dólar poderá aumentar se o BC não rolar todos os contratos.

No boletim Focus, divulgado nesta segunda pelo Banco Central, o mercado elevou a estimativa para o dólar este ano de R$ 2,25 para R$ 2,27. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse, no Chile, que não falta moeda estrangeira no mercado de câmbio à vista, como afirmaram alguns especialistas.

Ele apontou que a valorização do dólar era um movimento esperado, já que a economia global está caminhando para um momento de transição, com a redução das medidas de estímulo após a crise de 2008.

Segundo ele, a maior pressão sobre o dólar veio de investidores estrangeiros e empresas nacionais e internacionais que tentavam proteger seus portfólios ou obrigações da desvalorização esperada da moeda e de ativos locais.

Bovespa sobe e acompanha mercado internacionais

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, principal índice do mercado, sobe 1,06% aos 54.019 pontos e volume negociado de R$ 3,9 bilhões.  Nesta segunda, acontece o vencimento de opções sobre ações, o que deve causar algum impacto sobre os papéis da Petrobras e da Vale, as mais negociadas.

As ações PNA da Vale sobem 1,32% a R$ 32,85, também influenciadas pelas reformas na China, que devem dinamizar a economia. Os papéis PN da Petrobras se valorizam 2,10% a R$ 20,89.

O Ibovespa passa por uma correção técnica, já que na sexta não houve pregão, e as Bolsas americanas e europeias subiram - diz um operador. Também a informação de que o governo deve anunciar na sexta-feira um reajuste de 5% nos combustíveis, que entraria em vigor em dezembro, impulsiona os papéis da petrolífera.

Entre as demais ações mais negociadas do Ibovespa, Itaú PN sobe 0,80% a R$ 33,87, enquanto as ações PN do Bradesco ganham 0,82% a R$ 31,76. A maior queda do pregão é apresentada pelas ações PNB da Eletrobras, com queda de 2,77% a R$ 10,52. A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 915 milhões no terceiro trimestre, acima das expectativas.

Já a maior alta é apresentada pelos papéis ON da Gafisa, com alta de 5,38% a R$ 3,33. As ações ON da Fibria sobem 4,27% a R$ 30,30, a quarta maior alta do pregão. A empresa anunciou a venda de 210 hectares de terra por R$ 1,6 bilhão, mas continuará como gestora florestal das áreas.

Ainda no cenário doméstico, o boletim Focus, elaborado pelo banco Central trouxe uma redução das expectativas do IPCA para 2013, de 5,85% para 5,84%, e também para o ano que vem, de 5,93% para 5,91%.  Para o PIB, os analistas ouvidos pelo BC mantiveram a expectativa para este ano em 2,5% e queda no ano que vem, de 2,11% para 2,10%.

China detalha reformas econômicas

Do exterior, a influência positiva vem da China, que detalhou mais seu plano de reformas econômicas. Pequim quer tornar o país mais receptivo ao investimento estrangeiro e melhorar a gestão pública.

Segundo informações divulgadas pela agência estatal de notícias da China, a Xinhua, uma das reformas pretendidas pelo Partido Comunista é permitir que empresas privadas abram bancos de pequeno e médio porte no país, algo que deve vir acompanhado pela criação de um fundo garantidor de depósitos.

Segundo a agência, a China também anunciou que permitirá mais investimentos privados em projetos desenvolvidos por empresas estatais e que os funcionários de companhias com capital misto poderão comprar ações da empresa em que trabalham. As Bolsas chinesas subiram e as europeias seguem o otimismo e também apresentam ganhos.