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Economia

Exportações de industrializados ultrapassam US$ 2,1 bilhões, aponta Radar da Fiems

Um dos destaques no ano passado foi o grupo papel e celulose, que atingiu receita de US$ 434,9 milhões com as vendas externas

Daniel Pedra

28 de Janeiro de 2011 - 10:10

Exportações de industrializados ultrapassam US$ 2,1 bilhões, aponta Radar da Fiems
Foto da producao de celulose na fibria - Foto: Daniel Pedra

As exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul no ano de 2010 ultrapassaram a casa de US$ 2,1 bilhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Enquanto em 2009 a receita com as vendas ao exterior alcançou US$ 1,36 bilhão, no ano passado ela somou R$ 2,11 bilhões, o que representa crescimento de 54,4%, já incluindo a receita obtida com as vendas externas de industrializados no mês de dezembro no valor de US$ 197,5 milhões, consolidando-se como o melhor resultado já obtido para o mês em toda a série histórica da exportação de industrializados no Estado.

 

Quanto à participação sobre tudo o que foi exportado por Mato Grosso do Sul no ano passado, as vendas externas feitas pelo setor industrial atingiu a marca de 71,2% dos US$ 2,96 bilhões comercializados pelo Estado em 2010, ou seja, resultado 1,4 ponto percentual superior ao patamar obtido no acumulado até o mês de novembro, que era de 69,8%.

Adicionalmente, vale ressaltar que a receita obtida somente com a exportação de industrializados em 2010, equivalente a US$ 2,11 bilhões, é superior às exportações totais realizadas em 2009, quando as vendas externas estaduais, incluindo todas as categorias de produtos, proporcionou receita igual a US$ 1,94 bilhão.

 

Segundo o presidente da Fiems, Sérgio Longen, os dados apurados pelo Radar Industrial confirmam a previsão de fechar o ano de 2010 com as exportações de industrializados totalizando receita acima de US$ 2 bilhões. “A elevação dos preços internacionais para o complexo carne e o interesse crescente da Europa e Ásia pelo papel e celulose produzido no Estado foram os principais responsáveis por esse avanço. Também não podemos esquecer da retomada das vendas externas do nosso minério e a alta demanda pelo açúcar”, analisou.

 

Ainda conforme levantamento do Radar da Fiems, os US$ 2,11 bilhões alcançados em 2010 representam, na década, um crescimento de 1.380%, já que em 2000 a receita proveniente da exportação de produtos industrializados totalizou US$ 142,6 milhões. Além disso, na comparação com os últimos 20 anos, as exportações de industrializados de Mato Grosso do Sul cresceram cerca de 8.850%, saltando de US$ 23,6 milhões em 1990 para US$ 2,11 bilhões em 2010.

 

Com relação ao volume, no acumulado do ano de 2010, o setor industrial enviou ao exterior 6,4 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 48% em relação à igual período de 2009, quando foi vendido ao exterior o equivalente a 4,3 milhões de toneladas de produtos industrializados. Apenas no mês de dezembro do ano passado, a exportação de industrializados alcançou o equivalente a 321,7 mil toneladas, indicando, deste modo, um crescimento de 17%, em volume, sobre igual mês do ano anterior, quando as vendas externas somaram 275 mil toneladas.

 

Principais grupos

 

No ano, dez dos 13 principais grupos de produtos industrializados exportados por Mato Grosso do Sul apresentaram crescimento em suas receitas, quando comparados com o ano anterior, sendo que as exceções ficaram por conta dos grupos “Siderurgia, metalurgia básica e metalmecânica”, “Compensados de madeira, móveis de madeira e madeiras trabalhadas” e “Cimentos”. Em contrapartida, ao longo de 2010, os grupos “Carnes e miudezas/cortes, peças e carcaças”, “Papel e celulose, embalagens de papel ou papelão e demais artefatos de papel”, “açúcar e álcool” e “extrativo mineral – minerais metálicos” registraram importantes evoluções em suas vendas externas.

 

No caso do “Complexo Frigorífico”, o desempenho crescente foi sustentado, sobretudo, pela elevação ocorrida nas vendas de carnes desossadas e congeladas de bovinos, pedaços e miudezas congelados de galos e galinhas e outras carnes congeladas de suínos, que proporcionaram uma expansão, em receita, no comparativo com 2009, equivalente a 14%, 15% e 150%, respectivamente. Em valores, o ganho adicional somado, decorrente das expansões observadas, foi da ordem de US$ 97,1 milhões. Deste modo, os três produtos em destaque foram responsáveis por 88% de todo o ganho absoluto ocorrido, em 2010, nas vendas externas do complexo.

 

Quanto às exportações de “Papel e celulose”, o destaque, naturalmente, ficou por conta da pasta química de madeira semibranqueada (celulose), que foi incorporada à pauta de industrializados no fim do primeiro quadrimestre de 2009 e que registrou, somente em 2010, uma receita de exportação equivalente a US$ 401,3 milhões ou 92% da receita total do grupo. Outro importante produto é o papel fibra 150g/m², que começou a ganhar destaque no fim de 2009 e que em 2010 alcançou a marca de US$ 25,4 milhões ou 6,0% do total. Por fim, os principais comparadores dos produtos do segmento de papel e celulose sul-mato-grossense, em 2010, foram a Holanda, com 33,0% ou US$ 143,5 milhões, e a Itália, com 26,0% ou US$ 114,3 milhões.

 

Já no grupo “Açúcar e álcool”, no acumulado do ano, a receita de exportação alcançou o equivalente a US$ 378,0 milhões. Indicando, sobre 2009, um crescimento nominal de 136% na receita, resultando num valor adicional de US$ 218,0 milhões. Já em volume, na mesma comparação, a variação foi de 80%, aumento superior a 400 mil toneladas. Em relação aos compradores, os principais foram a Rússia, com US$ 60,2 milhões ou 16,0%, Índia, com US$ 58,4 milhões ou 15,4%, Irã, com US$ 30,3 milhões ou 8,01%, Malásia, com US$ 30,1 milhões ou 7,98%, e Venezuela, com US$ 24,2 milhões ou 6,39%.

 

No grupo “Extrativo Mineral”, o valor alcançado, no ano, ficou em US$ 297,3 milhões, com destaque para a elevação ocorrida nas exportações de minérios de ferro em bruto, que em 2010, totalizaram US$ 276,2 milhões ou 93,0% da receita total do grupo. Resultando, deste modo, numa receita 179,0% maior que a obtida em 2009, com um volume, na mesma comparação, superior em 57%. Em valores absolutos, os ganhos adicionais com as vendas externas do produto, em 2010, foram de US$ 177,3 milhões e 1,4 milhão de toneladas, respectivamente.