ECONOMIA
Governo lança pacote de medidas que torna o estado o mais competitivo do Brasil
Com quase 80 decretos, gestão Riedel isenta medicamentos, bares e restaurantes, além de reduzir a tributação para o agronegócio e cesta básica.
Correio do Estado
30 de Março de 2026 - 07:51

O governo de Mato Grosso do Sul começa nesta semana a formalizar quase 80 decretos de incentivo fiscal para diversos setores. Com os decretos, que começam a ser publicados nos próximos dias, mais de 10 setores da economia local serão beneficiados.
Entre os grupos a receberem os incentivos fiscais estão áreas como saúde, bares e restaurantes, comércio de combustíveis, agropecuária, indústria, geração de energia, transporte, outros serviços, consumo essencial e proteção social e ambiental.
O objetivo do governador Eduardo Riedel (PP) é manter o Estado como um dos que praticam as menores alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em várias atividades fundamentais para a estruturação da economia.
Atualmente, o Estado mantém uma alíquota média de ICMS de 17%, enquanto estados vizinhos têm uma alíquota média que se aproxima dos 20%. De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), a redução na carga tributária, em se tratando de ICMS, nos últimos três anos chegou a 10%.
O governo do Estado, por exemplo, prepara decretos para manter a alíquota praticada para donos de bares e restaurantes em 2,7%, em média, preservando assim as condições que existiam no início da década, na época da pandemia. Ela é, por exemplo, bem inferior à média praticada por estados vizinhos, como Mato Grosso, Paraná e São Paulo, e também de outras regiões, onde passa a chegar a duas casas decimais, entre 12% e 19%.
A manutenção das mesmas alíquotas da época da pandemia pelo governo também alcançará hotéis, pousadas e setores ligados ao turismo e à alimentação.
“Mais do que reduzir tributos, a proposta busca criar um ambiente favorável ao crescimento econômico, estimular setores produtivos e ampliar a inclusão social. A estruturação da política fiscal ocorre em um momento decisivo para o planejamento econômico estadual, especialmente diante das mudanças estruturais trazidas pela reforma tributária em curso no País”, disse o titular da Sefaz, Flávio César.
Vários setores
O governo de Mato Grosso do Sul também prepara decretos para a área da saúde. A ideia é isentar de ICMS as importações feitas por entidades assistenciais, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), para a aquisição de medicamentos, alimentos especiais, reagentes laboratoriais, insumos e equipamentos médicos utilizados para diagnóstico, triagem neonatal e controle de doenças como diabete, câncer e deficiência de vitaminas e nutrientes.
Ainda nesse segmento da saúde, também ficará isenta de imposto a compra de equipamentos médico-hospitalares sem similares produzidos no Brasil. Os hospitais e clínicas que fizerem uso do benefício vão compensá-lo com a prestação de serviços médicos, exames radiológicos, de diagnóstico por imagem e laboratoriais, em valor igual ou superior à desoneração, apurou o Correio do Estado.
O processo de isenção e compensação será todo monitorado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e também pela Sefaz.
Na agricultura, a gestão de Eduardo Riedel pretende isentar de ICMS operações internas com irrigadores ou sistemas de irrigação por aspersão ou gotejamento. O objetivo é fortalecer e desonerar atividades como agricultura e horticultura.
Alguns tipos de veículos e máquinas para indústrias, equipamentos industriais, medicamentos para gripe e HIV, aquecedores solares, cestas básicas e energia elétrica para irrigação rural também estão subsidiados pelo governo e serão atingidos pelo decreto.
O governo do Estado também pretende manter, no pacote que será lançado nesta semana, benefícios fiscais para produtos como o etanol anidro combustível (que é adicionado à gasolina), álcool etílico combustível, produtos alimentícios produzidos dentro de Mato Grosso do Sul e vários outros itens que serão informados ao longo da semana.
Comparativo
O Correio do Estado fez um levantamento comparando a carga tributária de Mato Grosso do Sul, quando se trata de ICMS, com a de outros estados brasileiros, um por região.
Nos medicamentos, por exemplo, o Estado tem uma carga zerada de ICMS, enquanto São Paulo cobra 12%, Mato Grosso, 6%, Bahia, 20,5%, Paraná, 12%, e Pará, 19%.
O ICMS sobre a cesta básica também é menor em MS, onde a alíquota é de 7% – em São Paulo é de 12%, em Mato Grosso, 12%, na Bahia, 20,5%, no Paraná, 12%, e no Pará, 10%.
A alíquota do mesmo imposto sobre máquinas agrícolas também é menor em Mato Grosso do Sul, de 5,6% – em São Paulo é de 9%, em Mato Grosso, 10%, na Bahia, 20,5%, no Paraná, 12%, e no Pará, também 12%.
Combustíveis
No caso dos combustíveis, cujo preço ao consumidor tem escalado neste mês em razão da guerra no Oriente Médio, Mato Grosso do Sul consegue praticar uma alíquota menor em combustíveis que não têm a tributação monofásica, como o etanol e o gás natural veicular, que o Estado tem mais liberdade para tributar.
O etanol e o GLP em Mato Grosso do Sul têm uma alíquota de 12%, enquanto São Paulo pratica uma alíquota de 18%, Mato Grosso, 17%, Bahia, 20%, Paraná, 19,5%, e Pará, de 19%.




