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ECONOMIA

Produção de grãos foi beneficiada pelo clima em 2014

No verão passado, o que mais chamou a atenção foi o excesso de chuva no momento da colheita da soja em Mato Grosso

Dourados Agora

06 de Janeiro de 2015 - 09:55

Existem explicações dos meteorologistas para o fato? Com certeza sim. Para entender melhor o que aconteceu no clima, vamos refrescar as nossas memórias e voltar um pouco no tempo.

Clima foi bom para os grãos

Apesar de um verão muito seco no Sudeste, o que traz riscos concretos para o setor de energia do país e para o abastecimento de muitas cidades, o Brasil registrou um novo recorde na safra de grãos. Isto aconteceu porque os maiores produtores, Mato Grosso e Paraná não foram afetados pela seca.

Segundo Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, a lógica da agricultura é diferente da lógica dos reservatórios.

Não há necessidade de muita chuva para a agricultura. Há necessidade de chuva frequente e isto aconteceu nos principais estados produtores – explica Oliveira.

Centro-Oeste

No verão passado, o que mais chamou a atenção foi o excesso de chuva no momento da colheita da soja em Mato Grosso. Já no outono e inverno, a atenção ficou voltada para o excesso de chuva nas lavouras de algodão de Mato Grosso.

O lado positivo ficou por conta do milho safrinha no Centro-Oeste e Sul. Neste último caso, a chuva do meio do ano ajudou no desenvolvimento das lavouras e a ausência de frio intenso livrou o milho das geadas intensas, a exemplo do que ocorreu em 2013.

Na primavera, os produtores tiveram outro problema: o atraso das chuvas. O ideal seria que tivesse voltado a chover de forma significativa no final de setembro, mas a chuva só ganhou volumes mais expressivos a partir da segunda quinzena de novembro.

Esta condição de chuva irregular atrapalhou o plantio da soja no Centro-Oeste e Nordeste.

Sul

O lado negativo da chuva forte do meio do ano está relacionado diretamente à qualidade do trigo na Região Sul, que foi extremamente prejudicada.

Agora, mais para o fim do ano, as chuvas irregulares também começaram a comprometer a produtividade do milho e da soja no Paraná e Rio Grande do Sul.

Nordeste

Os produtores do Nordeste, se compararmos com os anos anteriores quando a seca foi extremamente severa, tiveram um primeiro semestre bem melhor que os últimos.

A quadra chuvosa foi mais regular o que ajudou no desenvolvimento de culturas como a soja do norte do Maranhão e feijão do Ceará. Também choveu de forma mais regular no leste do Nordeste, ajudando no desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Sudeste

Já o Sudeste do Brasil acumulou perdas em praticamente todos os setores. Os danos provocados pela estiagem foram gerais: do café à pesca. Das hortaliças às frutas, sem falar nos altos prejuízos para a cana-de-açúcar e a citricultura.

Além disso, tivemos um número de queimadas recorde por conta da seca prolongada. Segundo especialistas, os problemas em relação à redução das chuvas no Sudeste devem ser encarados avaliando diversas razões climáticas de longo e curto prazo.