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Economia

Queda de exportações e crise na usina reduzem 21,57% da oferta emprego

Este cenário se estendeu ao conjunto da avicultura de Mato Grosso do Sul que apresentou queda de 13,7% no primeiro semestre de 2012

Flávio Paes/Região News

30 de Julho de 2012 - 09:36

Segundo levantamento do Ministério do Trabalho, a oferta de emprego em Sidrolândia caiu 21,57% no primeiro semestre de 2012 em relação a igual período de  2011 e 38,58% na comparação com  2010. Os números do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que de janeiro a junho deste ano foram fechadas 367 vagas no mercado formal de trabalho da cidade. 

É uma inversão na tendência registrada no primeiro semestre de 2011, quando foram abertos 271 empregos de carteira assinada, com 2.145 contratações e 1.874 demissões. Neste ano o CAGED registrou 1.683 admissões e 2.050 dispensas. Este quadro de menor oferta de trabalho quando  Sidrolândia registrou a melhor produção de soja dos últimos sete anos (358 mil toneladas) e uma safra de milho safrinha significativa (426 mil toneladas) é atribuído a dois fatores conjunturais que afetam a duas maiores empregadoras da cidade: a Usina Santa Olinda, de Quebra-Coco e a unidade da Seara Marfrig, com mais de 2 mil funcionários.

Tanto é verdade que das 2.050 demissões registradas, o setor industrial e agropecuário, responderam por mais de 60%, 1.679 dispensas (962 na agropecuária e 717 na indústria). No caso da usina, que passa por uma recuperação judicial (uma espécie de concordata), enfrenta centenas de ações trabalhistas, as dificuldades da empresa provocaram mais de 300 demissões neste primeiro semestre.

Isso se refletiu na oferta de empregos no setor agropecuário da economia, com desaparecimento de 298 vagas (962 demissões e 628 contratações). Em 2011, foram geradas 132 novas oportunidades de emprego (1.531 contratações e 1.399 demissões). O saldo do setor industrial também fechou o semestre com redução de 124 de vagas, sendo 48, só das indústrias têxtil e do vestuário (Tip Top e Via Blumenau).

As empresas estão sofrendo com a concorrência da importação da China, que hoje reponde por 60% da demanda nacional. Já a Seara Marfrig, que destina toda a sua produção de frango para o mercado externo, teve uma queda de 37,66% no faturamento do primeiro semestre que caiu de 77,1 milhões de dólares em 2011 para 48 milhões de dólares. A quantidade exportada caiu 37%, de 26,2 mil toneladas para 21,5 mil toneladas.

Este cenário se estendeu ao conjunto da avicultura de Mato Grosso do Sul que apresentou queda de 13,7% no primeiro semestre de 2012, com relação ao mesmo período de 2011, quando 61,2 mil toneladas foram vendidos. Neste semestre, foram vendidos 52,9 mil toneladas.

Em relação ao valor negociado, o frango rendeu, no período, US$ 119,7 milhões, um valor quase 23% menor que US$ 154,5 milhões no acumulado do primeiro semestre de 2011. O aumento da produção brasileira e a baixa demanda são apontados como provocadores dessa queda do setor no Estado.

Para Adriana Mascarenhas, economista e assessora técnica da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), a alta da oferta de frango no país fez com que o número de abates no Estado recuasse em 3,5%. De 72,4 milhões de aves abatidas no semestre passado, o número caiu para 69,9 milhões de animais.

Mesmo com a queda nos abates, o peso médio dos animais subiu. Em 2011, o peso médio era de 2,32 kg/ave e hoje está em 2,47 kg/ave. “Isso indica aumento da produtividade no setor”, explica. Outros fatores têm preocupado os avicultores no Estado. “Tivemos um aumento de 15,7% no custo de produção, ocasionado, principalmente pela alta dos valores do farelo de soja e milho, utilizados na ração dos animais”, aponta Adriana.

Para a economista, a rentabilidade dos produtores no setor pode cair ainda mais em função do aumento na energia elétrica e do custo de mão de obra, que a partir de julho terão reajuste salarial.