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ECONOMIA

Sidrolândia começa a colher milho safrinha com previsão de colher 768 mil toneladas

Os produtores estão convencidos de que esta estimativa de produtividade do IBGE é conservadora devendo ser derrubada pelos números definitivos apurados após a colheita.

Flávio Paes/Região News

21 de Junho de 2015 - 22:55

O agricultor de Sidrolândia já iniciou a colheita do milho safrinha que pelo terceiro ano consecutivo deve bater recorde de produção se aproximando das 900 mil toneladas, embora o IBGE tenham feito uma projeção conservadora: colheita de 768 mil toneladas em 160 mil hectares de lavoura que foram cultivados.

Se confirmada esta projeção, isto representará produção menor que a da safra 2014, quando se alcançou 799  mil toneladas em 148 mil hectares. A área plantada aumentou 8,10%, mas a produtividade média por hectare, pelas estimativas do IBGE, caiu 11,11%, de 90 para 80 sacas por hectares.

Os produtores estão convencidos de que esta estimativa de produtividade do IBGE é conservadora devendo ser derrubada pelos números definitivos apurados após a colheita. Ano passado, por exemplo, houve a projeção de colheita de 80 sacas por hectares e acabou obtendo 90 sacas.

Como não houve nenhum problema climático (excesso ou falta de chuva) que pudesse afetar o desenvolvimento da planta, a expectativa é a obtenção da mesma produtividade, garantindo a colheita de  864 mil toneladas, o que significaria um incremento de 65 mil toneladas sobre o ano passado. Até agora, conforme cálculos do presidente do Sindicato Rural, Rogério Menezes, só 3% da área plantada já foi colhida e nada justificaria uma quebra de produção.

Produtores como ele que investem pesado em tecnologia no plantio, esperam obter em torno de 120 sacas por hectares, 30 sacas acima da média do município. O produtor Paulo Stefanello acredita que conseguirá aumentar de 98 para 110 sacas a produtividade da sua lavoura que neste ano reduziu de 2.100 para 1.700 hectares porque plantou 400 hectares de soja safrinha.

Sidrolândia começa a colher milho safrinha com previsão de colher 768 mil toneladasA preocupação do presidente do Sindicato Rural é com o preço do grão, em torno de R$ 17,50 a saca de 60 quilos. Esta cotação está abaixo do custo de produção de quem gastou em média R$ 1.600,00 e está colhendo 90 sacas por hectare. Neste caso, a saca está saindo por R$ 17,77.

No caso específico de Rogério, que investiu em torno de R$ 1.810,00 por hectare, o preço praticado atualmente pelo mercado só se tornaria rentável caso de fato venha produzir 120 sacas por hectare. Na opinião do produtor Osório Strallioto, ex-presidente do Sindicato Rural, a tendência é a repetição do fenômeno do ano passado: preço abaixo dos R$ 20,00 durante a colheita e reação a partir de outubro, novembro, dezembro, cenário que beneficiou quem teve condições de segurar a produção. Paulo Stefanello avalia que só no final do ano, o preço atinja um patamar rentável.  

Produção estadual

Conforme o levantamento divulgado no início de junho pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso do Sul cultivou nesta temporada 1,560 milhão de hectares com milho safrinha. A expectativa é que as lavouras da cultura produzam 8,049 milhões de toneladas do grão, o que, se confirmada, representará a maior produção do cereal na história do estado..

A safra de milho no Brasil deve atingir números recordes em 2014/15. De acordo com André Pessôa, analista da Agroconsult, a produção de nacional de milho deve chegar a 83 milhões de toneladas, considerando a primeira e segunda safra do produto. “Esperávamos números menores por causa da primeira safra, mas resultado foi maior”, disse o analista que discursou sobre as perspectivas do mercado de milho na tarde de ontem, (16), em evento realizado em São Paulo.

Segundo o analista, a demanda no mercado interno aumentou, mas ainda não é suficiente para resolver o problema da grande oferta de milho. A solução nesse caso seria a exportação de 27 milhões de toneladas do produto. Entretanto, o grande entrave é encontrar compradores suficientes no mercado internacional para o alto volume de milho. “Nós precisamos de grandes volumes de exportação para não sermos ‘soterrados’ no final do ano com o milho”, avaliou Pessôa.

Além das exportações, o volume de 83 milhões de toneladas gera uma preocupação para o analista na questão da armazenagem. “Onde nós vamos colocar tanto milho?”, questiona André. Ele afirma que a capacidade instalada dos armazéns não atende essa quantidade. “Estamos com uma safra de 50 milhões de toneladas de (milho) safrinha, mas com capacidade nos armazéns de quando se produzia 20 milhões”.

Histórico de podução

2011- 82 mil hectares – R$ 255 mil toneladas

2012 - 110 mil  hectares 426 mil toneladas –

2013 - 135 mil hectare 591,3 mil toneladas

2014 - 148 mil toneladas – 799 mil toneladas

2015- 160 mil toneladas - 768 mil toneladas (estimativa IBGE)