ECONOMIA
Tarifaço dos Estados Unidos não deve afetar as exportações de Mato Grosso do Sul
Carne bovina, celulose, ferro, tilápia e outros produtos que lideram as exportações do Estado para o país ficaram fora da sobretaxa de 25%.
Correio do Estado
17 de Julho de 2026 - 07:38

O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter impacto praticamente irrisório para Mato Grosso do Sul. Os principais produtos exportados pelo Estado ao mercado norte-americano ficaram de fora da lista de mercadorias atingidas pela sobretaxa anunciada pelo governo de Donald Trump.
Entre os itens preservados estão carne bovina, celulose, ferro-gusa, pescados, minérios, fécula de mandioca e outros produtos que concentram a maior parte da pauta exportadora sul-mato-grossense.
Conforme já publicado pelo Correio do Estado, os números mostram a importância desse mercado para a economia estadual.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), apontam que Mato Grosso do Sul exportou US$ 371,02 milhões aos Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano, alta de 14% em relação aos US$ 325,37 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Em volume, o crescimento foi ainda mais expressivo. Os embarques alcançaram 437,49 mil toneladas no primeiro semestre, um avanço de 33,6% em volume sobre as 327,39 mil toneladas exportadas no mesmo intervalo de 2025.
A concentração das exportações explica por que o impacto da nova tarifa tende a ser mínimo para Mato Grosso do Sul. Somente as carnes bovinas desossadas congeladas responderam por US$ 190,36 milhões no primeiro semestre, mais da metade de tudo o que o Estado vendeu aos Estados Unidos.
O produto integra a lista de exceções divulgada pelo governo americano. Na sequência aparecem o ferro fundido bruto, com US$ 74,23 milhões, e as pastas químicas de madeira (celulose), que somaram US$ 59,37 milhões.
Também figuram entre os principais produtos exportados as carnes bovinas frescas ou refrigeradas, com US$ 20,08 milhões, o sebo bovino, com US$ 9,8 milhões, além de carnes processadas, tilápia, couro bovino, minério de ferro, fécula de mandioca, tapioca e outros produtos agroindustriais.
A lista de exceções anunciada pelos Estados Unidos contempla justamente esses segmentos, preservando carne bovina, pescados, celulose, ferro fundido, minérios, amidos, farinhas e vitaminas.
Em contrapartida, a sobretaxa recairá principalmente sobre produtos industrializados, como máquinas agrícolas, etanol, vestuário, calçados, papel, açúcar orgânico e bens de capital, itens com participação menor na pauta exportadora de MS.
Os dados de 2025 reforçam esse cenário. No ano passado, os Estados Unidos importaram de Mato Grosso do Sul US$ 224,84 milhões em carnes bovinas congeladas, equivalentes a 44,6 mil toneladas.
A celulose movimentou US$ 136,25 milhões, com 325,3 mil toneladas, enquanto o ferro-gusa respondeu por US$ 68,51 milhões e 162,5 mil toneladas. Também tiveram destaque o sebo bovino, com US$ 59,65 milhões e 56,1 mil toneladas, além das carnes bovinas salgadas, tilápia e couro bovino, todos contemplados pela lista de exceções.
DECISÃO
Para o analista em comércio exterior, Aldo Barrigosse, a ampla relação de produtos que ficaram de fora da sobretaxa demonstra que o governo americano precisou equilibrar a decisão.
“A lista de exceção é grande, como, por exemplo, a carne bovina, o café, o ferro-gusa e o peixe; entram na lista de exceção, porque, se realmente tiverem a tarifação, vão elevar muito a inflação americana. Isso faz com que diminua ainda mais a popularidade de Trump”.
Barrigosse diz que além do cenário de inflação elevada, os EUA enfrentam juros altos, custos maiores com energia e combustíveis e um ambiente econômico mais desafiador.
“Tudo isso é um combo que tende a prejudicar bastante o consumidor americano. Se esses produtos fossem realmente tarifados, os impactos seriam grandes para as nossas exportações”.
O especialista destaca ainda a importância do mercado americano para a cadeia da carne. “O Brasil vendeu este ano, até junho, cerca de US$ 1 bilhão em carne bovina para o mercado americano. Desse total, 20% saiu aqui de MS. Precisamos desse mercado, porque a China praticamente já absorveu toda a cota disponível.
Mesmo com a lista de exceções, o mercado continua inseguro, com escalas de abate menores e preços oscilando bastante, mas o fato de esses principais produtos terem ficado de fora evita um impacto muito maior para MS”.




