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Esporte

52 dias em Milão: Gabigol sofre com parte tática, mas tem apoio da torcida

Com saída do técnico Frank De Boer, brasileiro deve receber mais chances no Inter. Apesar do início pouco empolgante, empréstimo em janeiro é possibilidade remota

Globo Esporte

07 de Novembro de 2016 - 15:41

Passaram-se 52 dias desde que Gabigol aterrissou no aeroporto de Milão, no dia 17 de setembro. Ele está acompanhado pela família e os três funcionários do seu staff pessoal que o seguiram na nova vida na Itália. Até aqui, o balanço não é positivo: apenas 20 minutos em campo contra o Bologna, cinco jogos sentado no banco e uma partida em que sequer foi relacionado pelo ex-técnico Frank de Boer. As expetativas eram altas da torcida, que viu o clube desembolsar € 29,5 milhões (cerca de R$ 105 mi) pelo campeão olímpico brasileiro e o recebeu como um ídolo na chegada ao aeroporto. 

– É normal que os meninos não saibam direito quem é o Gabigol, porque ele não jogou, só aqueles minutos contra o Bologna, mas não basta. Acho que depois de todo este tempo treinando, ele tem de jogar. A prática também se faz nos jogos, atuando alguns minutos em cada partida. Nós queremos vê-lo em campo – comentou um torcedor, que este domingo acompanhou o filho ao “Giuseppe Meazza”, para assistir à vitória do Inter sobre o Crotone por 3 a 0.

Gabigol, uma vez mais, assistiu ao jogo do banco de reservas, com o seu gorro e um agasalho quente para se proteger do frio de Milão. No final, o ex-santista abandonou o estádio rapidamente sem prestar declarações na zona mista, seguido pelo companheiro e amigo João Mario. 

– Não posso falar – foram as únicas palavras que o brasileiro pronunciou em sua saída.

A ausência do campeão olímpico dos últimos seis jogos do Inter de Milão no campeonato nunca foi justificada pelo ex-comandante Frank de Boer. No entanto, Miranda, zagueiro do Inter de Milão e da seleção brasileira, que acompanhou desde o início o percurso do atacante em Milão, tentou explicar os verdadeiros motivos deste afastamento prolongado dos gramados. 

– O Gabriel é um grande jogador, está trabalhando bastante e é normal que um brasileiro quando chega na Europa demore um pouco para entrar no jogo. Eu falo que ele tem de trabalhar, estar atento na parte tática, porque ele está sofrendo um pouco por isso. Ele não está jogando agora porque está sofrendo na parte tática, mas é um jovem com muito talento, grande inteligência e vai poder ajudar muito o Inter – ressaltou o zagueiro. 

VIDA EM MILÃO

Da parte do clube, os dirigentes não podiam estar mais contentes com a integração de Gabigol no vestiário dos nerazzurri. “Profissional, tranquilo e trabalhador”, foram os adjetivos escolhidos por um dirigente do clube italiano para definir esta primeira etapa do jogador em Milão. Como a maioria dos recém-chegados à cidade da moda, Gabigol optou por morar no bairro de San Siro, numa residência com vista para aquele que agora é o seu estádio e muito perto de vários jogadores do elenco de Inter e Milan. 

A família está se adaptando rapidamente à cidade e a relação com os companheiros de equipe é “ótima”. Se do lado de fora, tudo vai às mil maravilhas, dentro do clube a crise de resultados e de organização interna não beneficia a integração do atacante de 20 anos. O Inter de Milão ocupa apenas o nono lugar do campeonato, com 13 pontos de diferença para o líder Juventus, longe até da zona de classificação para a Liga Europa.

– Eu acho até bom que eles não o tenham colocado para jogar neste momento difícil, os resultados não são bons e acho que não seria legal para ele começar agora. Se não for bem, vai ser logo criticado, mas se arrebentar vai ser bom, a gente nunca sabe, mas é um momento difícil e é bom que ele seja protegido. Agora com o novo técnico, se as coisas melhorarem, eu acho que ele vai receber mais chances e vai jogar – revelou um companheiro de vestiário de Gabigol que preferiu não ser identificado. 

Apesar dos poucos minutos em campo, a possibilidade de emprestar o jogador a outro clube do campeonato italiano é, por enquanto, remota. A ideia da diretoria é que Gabigol receba mais chances com o próximo técnico que, ao que tudo indica, será o italiano Stefano Pioli. No entanto, a situação será avaliada em janeiro após a parada de natal. Até lá, Gabriel Barbosa Almeida terá que suar para aumentar o número de minutos que passa no campo com a camisa número 96 do Inter.