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Esporte

Atuação impecável de Barrichello deu ao Brasil a centésima vitória na Fórmula 1

O primeiro aspecto, lamentavelmente se deu por conta do acidente de Felipe Massa no treino classificatório da corrida anterior, na Hungria.

Globo Esporte

23 de Agosto de 2018 - 09:24

Há nove anos, no dia 23 de agosto de 2009, Rubens Barrichello conquistava sua nona vitória na Fórmula 1, quebrando um jejum particular de quase cinco anos, e, mais importante, dava ao Brasil seu centésimo triunfo na categoria mais importante do automobilismo mundial. Mas o Grande Prêmio da Europa de 2009, disputado num lindo circuito montado nas ruas de Valência, teve outros ingredientes marcantes fora da pista. 

O primeiro aspecto, lamentavelmente se deu por conta do acidente de Felipe Massa no treino classificatório da corrida anterior, na Hungria. A Ferrari procurou Michael Schumacher, ele mesmo, para substitui-lo, e o heptacampeão inicialmente aceitou! Mas, depois de um teste, Schumi desistiu do retorno porque sentiu dores no pescoço machucado num acidente de moto no começo daquele ano. Mas o retorno efetivamente se deu no começo da temporada seguinte, pela Mercedes. 

A equipe italiana, então, foi buscar uma "solução caseira", no caso, o piloto de testes Luca Badoer. O problema é que o italiano não sabia o que era disputar uma corrida desde o fim de 1999. Os dez anos só de treinos solitários e simulações - além dos 38 de idade - custaram muito caro. Badoer foi o último colocado no grid de largada, mas a 1s488 do penúltimo, o espanhol Jaime Alguersuari, que fazia apenas sua segunda corrida na F1. Um vexame inacreditável. 

Na corrida, Badoer foi o 17º e último colocado, uma volta atrasado. Ele ainda correria no fim de semana seguinte, na Bélgica, mas acabou substituído por outro italiano, Giancarlo Fisichella, tirado da emergente Force India. 

Outra mudança nos bastidores aconteceu na Renault. Nelsinho Piquet foi dispensado, dando lugar ao francês Romain Grosjean, que faria sua estreia na Fórmula 1 - logo depois, explodiria o escândalo do Singapuragate, denunciado pelo brasileiro, mas essa é outra história... 

Existia grande expectativa dos franceses em relação a Grosjean, que havia ido bem nas categorias de base. Tanto que muitos jornalistas se acotovelaram para ouvir o novato, incluindo o blogueiro, que fazia sua primeira cobertura de F1 in loco na Europa e na foto abaixo aparece à esquerda no bolo de jornalistas, esticando o braço para gravar o que o francês tinha a dizer. 

Nos treinos classificatórios, Lewis Hamilton, vencedor da corrida anterior, fez a pole position, ajudado pelo bom funcionamento do Kers (sistema de recuperação de energia cinética) numa pista que, apesar de ser de rua, tinha muitos trechos de aceleração plena e permitia um melhor uso do novo dispositivo, que em pistas mais lentas cobrava o preço dos 30kg extras que tinha. 

Heikki Kovalainen, que fazia temporada apagada, completou uma primeira fila toda da McLaren, com Rubens Barrichello num excelente terceiro lugar. Excelente porque Rubinho não tinha o Kers em seu carro, e largaria com mais combustível - na regra da época, cada piloto tinha de fazer a etapa final da classificação com a quantidade de gasolina a ser usada no começo da prova, ou seja, já com a tática de corrida definida, e os pesos eram divulgados. Além disso, Rubinho ainda teria Sebastian Vettel (RBR) entre ele e o rival na briga pelo título Jenson Button. 

O plano de corrida de Barrichello era muito bem definido. Tentar pelo menos manter a terceira posição após a largada e acompanhar o mais perto possível o ritmo dos carros da McLaren, para tentar fazer o "overcut" sobre os dois nos reabastecimentos - a previsão era de dois pit stops. 

Dito e feito: Barrichello manteve o terceiro lugar, próximo de Kovalainen, enquanto Hamilton desenvolvia uma liderança que, se era tranquila para manter a ponta, não era das maiores a ponto de definir a corrida. Um pouco mais leve, Hamilton foi o primeiro a fazer o pit stop, na 16ª de 57 voltas, e foi seguido por Kovalainen. 

Barrichello assumiu a ponta e liderou por quatro voltas antes de fazer a primeira parada. Após fazer voltas bem rápidas com a pista livre e o carro muito leve, uma boa operação da Brawn possibilitou Rubinho a voltar à pista em segundo lugar, à frente de Kovalainen. Metade do plano estava cumprida. 

No segundo stint, Rubinho reduziu a diferença para Hamilton e ficou muito bem posicionado para fazer o "overcut" na parada final. Não deu outra. O inglês parou na 37ª volta, quando tinha pouca vantagem na liderança, e o brasileiro teve seis voltas para conseguir uma diferença que o permitisse voltar na primeira colocação. 

Com um excelente ritmo nas voltas que antecederam o segundo pit stop, no melhor estilo que Schumacher consagrou, Rubinho parou na 43ª volta, e voltou confortavelmente na liderança. Nas voltas finais, Barrichello apenas controlou sua diferença para Hamilton e sacramentou a centésima vitória brasileira na Fórmula 1. 

Uma atuação muito bem planejada e com execução perfeita fez com que Rubinho reduzisse sua desvantagem para 18 pontos e colocou uma pulga atrás da orelha do inglês, que, com uma atuação apagada, foi apenas o sétimo colocado. 

Rubinho ainda venceria mais uma prova em 2009, na Itália, mas naquele momento a Brawn já vinha sendo superada pela RBR como melhor carro do grid. Nas provas finais, Button conseguiu administrar a vantagem sobre o brasileiro e selou o título no Brasil. 

De qualquer forma, a vitória de Barrichello em Valência foi um momento memorável.