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Esporte

"Ladrão de bolas", Sheik vira símbolo do Timão marcador de Tite

Mais eficiente que o zagueiro Paulo André no quesito, atacante simboliza estilo do técnico corintiano, que gosta de pressionar o adversário

Globo Esporte.com

14 de Agosto de 2013 - 10:45

O Corinthians tem a melhor defesa do Campeonato Brasileiro. Em 13 partidas disputadas, sofreu apenas seis gols. É a única equipe cujos gols sofridos estão em apenas um dígito na competição nacional. O técnico Tite rejeita dizer que seja mérito apenas do setor defensivo: na visão do comandante alvinegro, a estatística reflete a postura coletiva da equipe. Um atacante simboliza bem a situação: hoje, Emerson Sheik acumula mais que o dobro de roubadas de bola que o zagueiro Paulo André, por exemplo.

Nos nove jogos que disputou na competição nacional, Sheik acumula dez roubadas. Uma média que passa longe das 32 efetuadas pelo volante Ralf, um especialista na função, mas é comparável aos números de todos os jogadores do setor defensivo. Uma arma utilizada pelo Corinthians desde a chegada de Tite, em 2011.

Questionado pela reportagem sobre o segredo para manter tal estatística elevada, Emerson se mostrou surpreso por estar entre os maiores ladrões de bola do elenco corintiante, mas lembrou que essa é uma exigência de Tite. O técnico cobra dos atacantes o mesmo poderio defensivo dos zagueiros.

- Acabei de descobrir. Mas não é nenhuma novidad, uma vez que treinamos isso. O Tite pede que a marcação comece lá na frente. São números importantes. Individualmente também é importante, porque o chefe está pedindo e estou cumprindo. E pela equipe vale qualquer coisa. Até abrir mão de atacar para defender - afirmou, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.

Emerson mudou seu estilo em favor da equipe. Sob o comando de Tite, ele vem sendo utilizado aberto na ponta esquerda. Deixou de ser o artilheiro da época em que atuou por Flamengo e Fluminense para se tornar um importante componente da estratégia montada por seu técnico. Além de roubar bolas, passou a dar mais assistências aos companheiros de ataque. Os cinco títulos com a camisa alvinegra entre 2011 e 2013 (Paulista, Brasileirão, Recopa Sul-Americana, Libertadores e Mundial) provam que a mudança valeu a pena.

– É um sistema adotado pelo Tite. Cheguei em 2011, acostumado a jogar de segundo atacante, mas rapidamente me adaptei ao sistema dele. Um estilo vitorioso, que vem tendo sucesso ao longo desses anos. Então, vamos que vamos, continuar enquanto estiver dando certo.

Outros jogadores também se adaptaram de acordo com as dicas do técnico. O lateral Edenílson, por exemplo, chegou ao Corinthians como volante, mas aos poucos passou a ser adaptado à nova função. Hoje, é titular do lado direito, mandando o capitão Alessandro, de 34 anos, para o banco de reservas.

O atacante Alexandre Pato, principal reforço do Timão para esta temporada, se destacou desde o início de carreira pela velocidade. Após ouvir pedidos de Tite para que se tornasse mais combativo e passasse a dificultar mais as coisas para os adversários sem a posse de bola, o camisa 7 passou a atuar como referência dentro da área, fazendo o pivô, assim como Paolo Guerrero. Pequenas dicas que rapidamente fizeram diferença.

– Tenho o hábito de dizer que o Tite ajuda mais que qualquer outro treinador. Um cara que consegue que o atleta entenda a importância de cada um, em cada setor do campo. Acho que essa é uma das maiores virtudes dele. Porque jogador de futebol é complicado. Quer entrar em campo e jogar. O Tite tem uma facilidade imensa para convesar com os comandados – explicou Emerson.