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Mato Grosso do Sul

Rodovias em péssimas condições precisam de investimentos de R$ 2,8 bi

Correio do Estado

14 de Novembro de 2022 - 09:19

Rodovias em péssimas condições precisam de investimentos de R$ 2,8 bi
A EPL prevê que para resolver os problemas de todas as rodovias estaduais e federais são necessários R$ 18 bilhões de investimentos. - Marcelo Victor

Pesquisa anual da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre rodovias estima que haverá um consumo desnecessário de 41,7 milhões de litros de diesel, em virtude da má qualidade do pavimento das rodovias de Mato Grosso do Sul neste ano.


 Nas contas da CNT, o prejuízo aos transportadores será de R$ 190,38 milhões, o que representa um aumento de custo operacional do transporte de 30,2%, refletindo na competitividade do Brasil e no preço dos produtos. O mesmo estudo aponta que, para melhorar as condições de tráfego das rodovias federais que cortam o Estado, são necessários R$ 2,84 bilhões em investimentos. A conclusão é de que dos 4.488 km de rodovias do Estado 59,3% encontram-se com algum tipo de problema e são considerados regular, ruim ou péssimo, enquanto 40,7% da malha é considerada ótima ou boa.


Renato Marcílio, secretário de Estado de Infraestrutura, diz que a pesquisa verifica principalmente a condição das rodovias federais e pouco diz sobre as vias de competência estadual. “É uma pesquisa inócua, porque ela analisa partes de rodovias, não é só a condição do asfalto, mas também a assistência e coisas que são mais relacionadas a uma concessionária do que propriamente a situação das estradas que a gente tem aqui”, declara.


O responsável pela Pasta relata que o básico para a administração estadual é garantir asfalto de qualidade. “E é o que a gente tem feito com as manutenções e com as implantações novas. Então, essa pesquisa para nós não reflete. O que pesa é o estado das rodovias federais, que infelizmente não é responsabilidade nossa”, finaliza. Presidente do Sindicato dos Caminhoneiros em Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), Osni Belinati comenta que a situação das estradas de MS para o caminhoneiro é complicada. “A BR-163, por exemplo, apesar de pedagiada, está em vias de falência na sua estrutura. A mesma coisa podemos dizer da BR-060, que em alguns locais está péssima. E também a BR-262, que já mostra falência do asfalto em toda a sua extensão”, critica.

 
O dirigente comenta que o problema é principalmente causado pela falta de financiamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “O Dnit, responsável pela BR-060 e BR-262, não tem verba e tenta fazer de tudo para tapar buracos”, dispara. Segundo o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, essa deterioração acontece pela falta de investimento nos últimos dez anos. “A degradação das rodovias está ocorrendo em um nível acelerado, e esse quadro precisa ser revertido o quanto antes”, alerta. Em 2010 e 2011, o investimento público federal em rodovias representou 0,26% do PIB, a proporção caiu para 0,07% em 2021. Para este ano, o orçamento estabeleceu apenas R$ 5,79 bilhões para o segmento, patamar que já alcançou R$ 33,37 bilhões em 2012.

IMPORTÂNCIA
O modal é o principal no transporte de mercadorias em Mato Grosso do Sul. Segundo especialistas e economistas, 85% dos produtos consumidos no Estado são transportados nas rodovias. 
Conforme o doutor em Economia Michel Constantino, os custos de transportes fazem parte dos custos de produção, e quanto maiores esses custos maiores são os preços dos produtos finais. O resultado final: pressão inflacionária. “Produtos que precisam se deslocar, ou seja, produtos que importamos de outros estados, ficam mais caros se o transporte tiver maior custo de manutenção e consumo de combustível”, explica. Segundo Constantino, os problemas relatados pela CNT são responsáveis por dificultar o escoamento dos produtos, o que acaba apertando o orçamento das famílias e aumentando os custos. “Esse é um dos gargalos da logística que influenciam nos preços e impactam o poder de compra das pessoas”, finaliza.


Somado a esse problema, o economista Lucas Felipe Anastácio Sobrinho insere a conta da manutenção. “A má qualidade também gera reflexo na manutenção da frota dos veículos rodoviários, que fica mais frequente e custosa tanto para as transportadoras quanto para os profissionais autônomos”, frisa. Além do fator inflacionário, o especialista elenca que isso interfere na competitividade dos produtos sul-mato-grossenses. “Esses custos extras são repassados ao preço do frete, fazendo o Estado perder sua atratividade nesse sentido”. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog-MS), no Brasil, as rodovias são em sua grande maioria deficitárias em todos os quesitos, com exceção apenas do Distrito Federal.


O sindicato ainda ressalta a operação da Rota de Integração Latino-Americana (Rila) como um problema, caso os investimentos não aumentem nos próximos anos. “A tendência é de que esse problema aumente, pois haverá um incremento de veículos e eles se somarão aos demais usuários hoje existentes nessas vias”, afirma em nota. Para o Setlog-MS, se não houver atenção à infraestrutura viária, os acidentes vão aumentar. “Além disso, estaremos agregando às nossas rodovias outro perfil de condutor, que são os turistas que adentrarão no nosso Estado”, finaliza.

INVESTIMENTOS
O economista Lucas Anastácio pondera que, embora nos últimos anos tenha havido novos investimentos, em especial no asfaltamento de novas estradas, o valor destinado a esse tipo de obra está aquém da necessidade do Estado. De acordo com a pesquisa sobre as rodovias, a CNT aponta que, para recuperar as estradas em Mato Grosso do Sul, com ações emergenciais de restauração e reconstrução, são necessários R$ 2,84 bilhões de verba estadual e federal.


Relatório entregue neste ano pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL) em colaboração com o governo do Estado aponta que, para mudar a característica do transporte de mercadorias e produtos em Mato Grosso do Sul, são necessários R$ 49,42 bilhões em investimentos até 2035. O estudo prevê a realização de 5.800 km de obras em rodovias, no valor estimado de R$ 18,10 bilhões. Atualmente, MS dispõe de aproximadamente 100 km duplicados de rodovia e precisaria de 2.275 km em obras de duplicação, o que totalizaria mais de 2.375 km em rodovias duplicadas.