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Policial

Acusado de matar decoradora viveu em acampamento entre Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti por dois meses

Uma denúncia anônima levou o Batalhão de Choque da Polícia Militar até a casa localizada na Rua Lélio Landuci

Campo Grande News

01 de Abril de 2014 - 11:00

Procurado desde o dia 18 de janeiro após matar a decoradora Mauryani Melgarejo, 29 anos, no bairro Jardim Leblon, Francisco Ubirajara Marques, 53, foi preso pela Polícia Militar na noite desta segunda-feira (31), no bairro José Abrão.

Uma denúncia anônima levou o Batalhão de Choque da Polícia Militar até a casa localizada na Rua Lélio Landuci. A residência é de parentes de Francisco e ele contou aos policiais que procurou os familiares ontem para pedir ajuda. No momento da prisão, o suspeito não resistiu e se entregou aos policiais ao ver a movimentação em frente da casa.

O que chamou a atenção dos policiais no caso é que Francisco viveu por mais de dois meses em um acampamento montado na mata entre Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti. O esconderijo serviu de moradia para o homem depois do crime. Após a prisão, ele levou os policiais até o local onde a arma usada para matar Mauryani foi encontrada.

Havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça contra Francisco. Mas apesar das buscas das equipes da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o homem só foi achado ontem depois de denúncia anônima.

Em depoimento, Francisco confessou o crime e contou que fugiu para Camapuã, distante 133 quilômetros da Capital, e depois montou o acampamento na região de Sidrolândia.

Sobre o dia da morte da decoradora, Francisco se diz arrependido e tenta justificar a morte da sobrinha. Na época, ele contou que havia se separado recentemente da mulher, tia de Mauryani, e que a sobrinha e a mãe dela enviavam cartas de pretendentes para a ex-mulher de Francisco.

Revoltado e com ciúmes, o homem bebeu e foi até a casa da sobrinha tirar satisfação sobre o envio das cartas para a ex-mulher. Foi quando a jovem acabou baleada no rosto e nas costas. “Eu não fui para matar, fui para brigar. Eu não bebo, mas aquele dia bebi e não tenho o coração tão cruel assim para dizer que não estou arrependido”, disse ao Campo Grande News Francisco que já tem passagem na polícia por homicídio.

Crime – No dia 18 de janeiro, Mauryani foi alvejada às 19h20, na rua Tembes esquina com a Tupina, Jardim Leblon. Conforme a Polícia, a vítima estava em casa, que fica nos fundos de um restaurante, quando o autor chegou de moto e entrou pelo estabelecimento que dá acesso ao imóvel.

A vítima estava no quarto junto com a filha, quando Francisco disparou cerca de cinco tiros em direção a Mauryani. Ela foi atingida por dois disparos, um no rosto, que saiu pelo pescoço, e um nas costas.

No dia do velório, não bastasse ter matado a decoradora, Francisco ainda interrompeu, por diversas vezes, o velório da vítima e ameaçou a família inteira de morte. Na ocasião, a Polícia teve de ir ao local para recolher o celular onde surgiam as ligações. Eles disseram que o autor “pedia para escolher qual tipo de morte querem, de tiro ou de faca”.

Revoltados com a demora da polícia em encontrar Francisco, a família da decoradora solicitou à Polícia Civil a mudança de delegacia para apurar o caso. Os parentes pediram para que o caso saísse da Deam e passasse a ser investigado pela DEH (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios).