Policial
Comandante da PM vai explicar a indígenas atuação da Força Nacional em Sidrolândia
Segundo o comandante geral da PM, coronel Carlos Alberto David dos Santos, o que as autoridades querem é evitar conflito.
Flávio Paes/Região News
06 de Junho de 2013 - 11:50
As lideranças indígenas de Sidrolândia serão reunidas hoje à tarde na Secretaria Municipal de Assistência Social para serem informadas pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel David, sobre a atuação dos 110 homens da Força Nacional que virão para atuar nas zona de conflito entre terena e fazendeiros. Os policiais vão monitorar os pontos de acesso às aldeias e fazendas da região.
A estratégia foi apresentada nesta manhã para Funai (Fundação Nacional do Índio), Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) e Seprotur (Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo) e Polícia Federal pelo Comando Geral da Polícia Militar e da Força Nacional.
Ainda agora os pontos serão passados para a Famasul e durante a tarde, a estrutura do trabalho será esclarecida para lideranças indígenas na Secretaria de Assistência Social de Sidrolândia. Serão 110 homens da tropa nacional trabalhando na área. Metade deles chegou ontem a Campo Grande, a pedido do governador André Puccinelli (PMDB) e o restante já estava atuando na região de fronteira, em Dourados e Ponta Porã.
Segundo o comandante geral da PM, coronel Carlos Alberto David dos Santos, o que as autoridades querem é evitar conflito. Eles não vão trabalhar com reintegração, a nossa maior intenção é levar tranquilidade para a região e restabelecer a cordialidade entre indígenas e produtores, ressaltou.
Ontem, durante visita do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi suspensa a reintegração de posse na fazenda Buriti, em Sidrolândia. O acerto foi mediado pela Advocacia Geral da União. A contrapartida solicitada aos índios é a pacificação da área. Há mais de duas semanas Mato Grosso do Sul enfrenta uma onda de invasões de terra e tensão.
Cansados de esperar por uma posição do governo federal, os terena decidiram pela "retomada" de áreas que já foram consideradas indígenas em 2001, mas não avançam no processo de demarcação por conta de recursos judiciais dos fazendeiros que contestam laudos antropológicos da Funai.
Hoje, o maior conflito ocorre em Sidrolândia, onde na quinta-feira passada Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto. As famílias entraram pela primeira vez na área em 2003. No dia 15 de maio deste ano voltaram à fazenda, mas foram retirados na base da força na quinta-feira, quando incendiaram a sede da propriedade do ex-deputado Ricardo Bacha.
Um dia depois, ainda revoltados com a morte de Oziel Gabriel durante a desocupação, grupo retornou à area. Nesta semana, outras duas fazendas da região foram invadidas e hoje a São Sebastião. Os fazendeiros dizem que estão se organizando para retirar o gado das fazendas de Sidrolândia, para evitar maiores prejuízos.
Atualmente, nas contas dos terena, além da São Sebastião e Buriti, a etnia já está acampada nas fazendas Água Doce, Lindoia, São José, Querência, 3R, Flórida, Santa Clara e Bom Jesus. Comunidade indígena e produtores rurais brigam pela posse de 17 mil hectares na região de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti.




