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Adolescente nega ter matado bebê: "Não sabia que estava grávida"

Dourados News

25 de Abril de 2026 - 08:18

Adolescente nega ter matado bebê: "Não sabia que estava grávida"
Bebê foi encontrado em lixeira - Crédito: Divulgação

A adolescente de 17 anos apontada pela Polícia Civil como mãe do recém-nascido encontrado morto dentro de uma lixeira, em Ponta Porã, na região de fronteira com o Paraguai, apresentou nova versão do caso por meio da defesa. Segundo o advogado Paulo Belarmino de Paula Júnior, a jovem afirma que não sabia que estava grávida e que o bebê já nasceu sem vida no momento do parto, ocorrido dentro do banheiro da casa onde mora.

De acordo com o site Campo Grande News, o caso ganhou repercussão após a polícia informar que a investigação passou a ser tratada como infanticídio e que havia elementos indicando que a adolescente teria matado a criança logo após o nascimento. Agora, a defesa contesta essa linha e afirma que a conclusão depende do laudo pericial.

Conforme o advogado, a jovem relatou que sentiu fortes dores em casa e foi ao banheiro, onde entrou em trabalho de parto inesperadamente. Segundo ele, a adolescente contou que viu o bebê sem sinais de vida.

“Ela disse que o neném nasceu morto. Quando viu a criança, entrou em desespero e não soube o que fazer”, afirmou o defensor em entrevista à reportagem.

Depois disso, esperou os pais saírem de casa e descartou o corpo do bebê em uma lixeira.

O advogado sustenta que a adolescente não tinha conhecimento da gestação. Segundo ele, a jovem chegou a desconfiar que pudesse estar grávida, mas fez teste de farmácia, que teria dado negativo.

Além disso, conforme o relato, ela continuou menstruando normalmente durante o período, o que reforçou a crença de que não estava esperando um bebê.

Paulo Belarmino também afirmou ter conversado com os pais da adolescente, que disseram desconhecer a gravidez. Segundo ele, a jovem não aparentava estar gestante.

“Vi fotos dela de janeiro, fevereiro e março e não dava para perceber gravidez”, disse.

Ainda segundo o advogado, o comportamento da adolescente após o parto demonstra que ela não estava em condições psicológicas normais no momento dos fatos. Para ele, a decisão de abandonar o bebê em uma lixeira revela desespero e falta de discernimento.

“Ninguém coloca um bebê em uma lixeira achando que isso não será descoberto. Isso mostra que ela estava completamente abalada, sem saber o que fazer”, afirmou.

A defesa confirmou que a adolescente não realizou pré-natal, consultas médicas ou qualquer acompanhamento gestacional. Segundo o advogado, ele ouviu de uma médica que a ausência total de acompanhamento pode levar a complicações e até morte fetal.

Ele também afirmou que recém-nascidos, em alguns casos, precisam de atendimento imediato após o parto para desobstrução das vias respiratórias.

Para o advogado, não há como afirmar que houve infanticídio antes da conclusão do exame necroscópico e demais perícias.

“Sem o laudo, não temos como saber se foi infanticídio ou se a criança nasceu morta”, declarou.

Ainda segundo ele, se for comprovado que o bebê nasceu sem vida, o caso não se enquadra como crime de infanticídio. A adolescente ainda não prestou depoimento formal. Conforme a defesa, ela deverá se apresentar nos próximos dias, após a conclusão do laudo pericial. Por envolver menor de idade, parte da investigação segue sob sigilo.

O caso - Na quarta-feira (23), um jovem procurou espontaneamente a delegacia dizendo acreditar ser o pai da criança. Ele foi ouvido pela Polícia Civil e, conforme informado anteriormente pela investigação, teve qualquer participação no caso descartada.

O recém-nascido foi encontrado na madrugada de terça-feira (21), dentro de uma lixeira na Rua Vasco da Gama, na Vila Planalto. Trabalhadores da coleta localizaram a criança enrolada em um casaco com manchas de sangue e acionaram a polícia. Inicialmente, a investigação foi registrada como morte a esclarecer, mas depois passou a ser tratada como infanticídio. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal), responsável pelos exames que devem apontar se o bebê nasceu com vida ou sem sinais vitais.