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Saúde

Dourados concentra 42% de todas as mortes por chikungunya no Brasil

A Prefeitura de Dourados publicou um edital para contratação emergencial de médicos e enfermeiros, com início imediato das atividades.

G1 MS

25 de Abril de 2026 - 09:09

Dourados concentra 42% de todas as mortes por chikungunya no Brasil
Assim como dengue e zika, chikungunya também é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti — Foto: Getty Images

Dourados concentra 42% das mortes por chikungunya registradas no Brasil em 2026, segundo dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde. Até o momento, o país registra 20 mortes por chikungunya, sendo 13 em Mato Grosso do Sul. Dessas, oito ocorreram em Dourados, sendo a maioria indígenas.

Diante do avanço da doença, a prefeitura decretou calamidade em saúde pública e abriu contratação emergencial de médicos e enfermeiros. Antes disso, já havia sido declarada situação de emergência em saúde pública e em defesa civil.

Os dados mais recentes apontam:

  • 6.186 casos prováveis da doença;
  • taxa de positividade de 64,9%;
  • ocupação de leitos em cerca de 110%, acima da capacidade instalada.

Por que Dourados preocupa autoridades de saúde

O alto número de mortes em Dourados acende alerta entre autoridades sanitárias porque o município concentra quase metade das mortes por chikungunya do país. A situação é considerada crítica por causa de fatores como:

  • grande número de casos concentrados;
  • presença da Reserva Indígena, com características próprias de atendimento;
  • aumento da circulação do vírus na área urbana;
  • pressão crescente sobre hospitais e unidades de saúde.

Especialistas apontam que a combinação desses fatores exige resposta rápida e coordenada para evitar o agravamento do cenário.

Contratação emergencial tenta reforçar atendimento

A Prefeitura de Dourados publicou um edital para contratação emergencial de médicos e enfermeiros, com início imediato das atividades.

A medida foi assinada pelo secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, e tem como objetivo reforçar o atendimento nas unidades de saúde diante do crescimento expressivo dos casos da doença. Segundo o edital nº 27/2026/SEMS/PMD, os profissionais selecionados poderão atuar em:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBSs);
  • Unidades de Pronto Atendimento (UPAs);
  • Hospitais públicos ou conveniados.

A contratação será temporária e válida apenas enquanto durar a situação de emergência sanitária no município. De acordo com o secretário, a medida busca evitar o agravamento da situação.

“O risco iminente de colapso da rede pública de saúde e a necessidade de resposta imediata para garantia da continuidade dos serviços essenciais justificam a medida”, afirmou Márcio Figueiredo.

Como funciona o processo seletivo

O processo seletivo será simplificado, como prevê a legislação para situações emergenciais. Os interessados devem comparecer imediatamente à Secretaria Municipal de Saúde, localizada na Rua Coronel Ponciano, nº 900, das 8h às 13h, com os documentos exigidos.

Entre os principais documentos estão:

  • documento de identificação com foto;
  • CPF;
  • diploma ou certificado de escolaridade;
  • registro profissional;
  • comprovante de experiência na área nos últimos cinco anos.

A classificação será feita com base no tempo de experiência profissional. Em caso de empate, terá prioridade o candidato de maior idade.

Plano de ação define estratégia contra epidemia

Além da contratação emergencial, o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) publicou um Plano de Ação de Incidente com medidas para enfrentar a epidemia.

O documento tem 36 páginas e organiza as estratégias que serão adotadas tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena de Dourados, onde se concentra parte significativa dos casos.

Segundo o secretário municipal de Saúde, o plano considera o cenário crítico da doença.

“Plano de Ação considera o cenário epidemiológico caracterizado pela evidência de transmissão sustentada e expansão do agravamento da doença com impacto significativo na rede de atenção à saúde”, explicou Márcio Figueiredo.

O plano prevê ações como:

  • reorganização da rede de atendimento;
  • ampliação da capacidade de diagnóstico;
  • padronização dos fluxos de atendimento;
  • monitoramento constante dos casos;
  • integração entre equipes da rede urbana e da saúde indígena.

A articulação entre a prefeitura e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS) é considerada essencial para garantir atendimento adequado às comunidades indígenas.

Segundo a prefeitura, esse cenário indica dificuldade para atender pacientes, principalmente em casos graves. O decreto de calamidade tem validade inicial de 90 dias.