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Policial

Conselheira tutelar diz que meninas eram abusadas pelo pai há nove anos

O suspeito fugiu da cidade antes de ser ouvido pela Polícia.

Flávio Paes com informações do Campo Grande News

05 de Dezembro de 2013 - 20:49

As jovens S.R.N  de 12 anos, S.R, de 14 e  S.RT de 16 anos, que em companhia da mãe estão numa casa abrigo desde segunda-feira   eram abusadas por E.N.S, 45 anos, pai da maior e padrastro das outras duas. Esta é a convicação da conselheira tutelar Aide Barbosa, que atendeu a ocorrência, ouviu as menores e a mãe delas. 

O suspeito fugiu da cidade  antes de ser ouvido pela Polícia.   Ele  chegou à cidade  há oito meses junto com a família, vindo do interior do Rio de Janeiro onde teria sido denunciado pelo mesmo crime. Inicialmente a polícia recebeu a denúncia com reservas, porque o exame de corpo de delito nas garotas não comprovou a conjunção carnal (que prova a relação sexual) e os depoimentos das vítimas não teriam sido convincentes. 

Juntas da mãe, uma auxiliar de limpeza de 50 anos, as adolescentes estão em uma Casa Abrigo, onde recebem apoio psicológico. De acordo com Aide, o homem de 48 anos é pai biológico da mais velha. As outras duas são frutos do relacionamento da auxiliar de limpeza com outro homem.

“Depois que a mais velha nasceu, a mãe se separou, casou com outro homem e teve duas filhas. Tempo depois o casamento não deu certo e ela voltou para o primeiro marido. Os abusos começaram um ano depois desse retorno”, disse. Após conversas com as menores e com a mãe, a conselheira tutelar concluiu que os abusos ocorriam há pelo menos nove anos.

“Ele cuida das crianças há 10 anos. A menina de 14 anos disse para mim que ela era abusada desde os cinco anos de idade”, contou. O homem costumava passar a mão nas meninas e fazer sexo oral. Com as garotas de 12 e 14 anos, os abusos ocorriam dentro de casa.

Já com a jovem de 16 anos, os atos eram praticados aos olhos de quem quisesse ver. “Isso era todo dia. Os vizinhos viam tudo. Eles ficavam igual a um casal de namorados, de mãos dadas e dando beijos”, relatou Aide. A garota maior, segundo a conselheira tutelar, foi à única que defendeu o homem. “Ela acredita que é certo uma filha manter um relacionamento com o pai. Ela acha que é normal o que aconteceu”, disse.

Reincidência e fuga do Rio de Janeiro 

A família com históricos de abusos morava em uma cidade do interior do Rio de Janeiro. Conforme Aide, o Conselho Tutelar do município em que eles moravam ficou sabendo dos casos de estupro e acionou a polícia. Por causa desses fatos, eles fugiram para o interior de Mato Grosso do Sul.

Para a conselheira, a mãe das meninas só não procurou a polícia antes por medo. “Ela sofria muitas ameaças de morte. Ele dizia que ia matar até as meninas. A mãe começou a ficar muito perturbada e procurou até tratamento psicológico”, relatou.

Depois que começou a trabalhar na Prefeitura de Sidrolândia, a auxiliar de limpeza passou a conhecer outras pessoas e conversar sobre o assunto. Após isso, ela foi orientada a denunciar o caso. “No Rio, ela não tinha família. Só os parentes dele moravam lá. Aqui em Sidrolândia ela tem os parentes que moram em um distrito perto”, explicou.

Aide alerta as famílias que enfrentam problemas parecidos a procurarem a polícia. Ela ainda lembrou que outros casos de estupro de vulnerável aconteceram na cidade. “Está ocorrendo com frequência por ser um município de interior”, concluiu.