Policial
Conselho de Ética decide continuar investigação sobre Cunha
Alvo da Lava Jato, Cunha é acusado de manter contas secretas no exterior e de ter mentido sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobras, em março.
Correio do Estado
15 de Dezembro de 2015 - 13:35
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15), por 11 votos a 9, o parecer preliminar do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) pela continuidade das investigações sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O processo poderá resultar em punição que varia desde censura até a cassação do mandato do peemedebista.
Alvo da Lava Jato, Cunha é acusado de manter contas secretas no exterior e de ter mentido sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobras, em março. A votação aconteceu horas após uma operação da Polícia Federal que fez buscas e apreensões na residência oficial de Cunha em Brasília e na sua casa no Rio de Janeiro. Também houve da PF e do MInistério Público ações na casa de investigados em sete estados e no Distrito Federal.
A votação ocorreu após a
leitura do parecer por Marcos Rogério, em meio a polêmica sobre se era cabível
haver pedido de vista (pedido de parlamentar para analisar o caso por mais
tempo, o que poderia atrasar a votação do relatório).
Deputados aliados de Cunha defendiam que deveria ser concedido pedido extra
para que o novo parecer fosse analisado, uma vez que houve substituição do
relator. Na semana passada, o deputado Fausto Pinato (PRB-SP)acabou destituído
depois de manobras regimentais capitaneadas por parlamentares da
"tropa de choque" de Cunha.
O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), negou o pedido de vista, mas passou a decisão final para o plenário, que acabou decidindo, por maioria, que não era justificado dar mais tempo por entender que Rogério apresentou apenas um complemento ao parecer de Pinato, que já pedia a continuação das investigações.
Sessão com bate-boca
A sessão mais uma vez foi tensa. Houve de novo bate-boca entre os integrantes
do colegiado. O deputado Leo de Brito (PT-AC) fazia críticas
ao PSDB por conta do apoio dado anteriormente pela sigla a Cunha. Deputados
tucanos protestaram e virou uma discussão generalizada, mas não teve tumulto e
logo os ânimos mais acirrados se acalmaram.
Parlamentares como Paulo Azi (DEM-BA) e Júlio Delgado (PSB-MG) tentaram
coordenar um acordo com aliados de Cunha para que retirassem todos os
requerimentos pedindo o adiamento e, em troca, a votação fosse adiada até esta
quarta-feira (16).
Diante da falta de acordo, o presidente do conselho decidiu colocar em votação os três requerimentos de aliados do peemedebista que pediam o adiamento. No entanto, todos os pedidos acabaram sendo retirados pelos seus autores e o parecer foi votado em seguida.




