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Policial

Ela gritava de dor e chorava muito”, diz agente de saúde que socorreu menina violentada na Bororó

Sarita foi chamada por volta das 6h de segunda-feira (6) pela mãe da menina, que pediu socorro a agente

Dourados News

08 de Outubro de 2014 - 16:04

“Foi muito chocante ver a menina judiada daquele jeito. Eu acompanho ela desde criancinha, porque trabalho diretamente com os menores. Fiquei muito chocada”.

As palavras são da agente de saúde indígena Sarita Gonçalves, 37, que há 13 anos trabalha na função dentro da aldeia Bororó. Ela quem atendeu a menina de apenas nove anos de idade que teria sido estuprada por sete homens – entre eles parentes dela – na noite de domingo (5).

Sarita foi chamada por volta das 6h de segunda-feira (6) pela mãe da menina, que pediu socorro a agente. “Ela foi na minha casa pedir socorro e aí eu fui até lá ver o que estava acontecendo. Quando eu cheguei, a menina estava no barraco deles, só com uma blusinha, chorando e sangrando muito. Ela gritava de dor e eu vi que a situação era muito grave porque ela perdia muito sangue, tinha uma hemorragia. Aí encaminhamos ela para o hospital com a ajuda da Força Nacional e do Corpo de Bombeiros”.

A agente de saúde disse que apesar de muito desesperada, a menina ainda conseguiu falar o que tinha acontecido e apontar Fábio de Souza Irala, 23, e Junior Alves Duarte, 19, que estão presos na Phac (Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa), como responsáveis por tirarem ela do barraco onde ela mora com a mãe e a irmã e cometerem o crime.

Eles foram detidos ainda na segunda-feira junto de um adolescente de 14 anos, que também é acusado de participar do estupro, e que foi levado para a Unei (Unidade Educacional de Internação) Laranja Doce. Fábio e Júnior foram transferidos ontem para a Phac (Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa).

De acordo com Sarita, a mãe da menina sofre de problemas de alcoolismo. “É complicado, desde que eu conheço ela há uns cinco anos isso acontece. E aqui é difícil não só para ela, mas para todo mundo que sofre de bebida e droga porque não tem como ajudar, não tem como dar assistência e tratamento. A gente acha que ela devia ter bebido para não ver tirarem a menina”, disse ela, apesar de ressaltar que nada justifica o crime.

Por fim, a agente apontou outra situação alarmante: que os casos de estupro de crianças ou mulheres podem ser muito maiores que os 10 casos registrados este ano, por exemplo, pela Polícia Civil. “Muitas famílias têm medo de denunciar. A gente acha que tem muito caso que não chega aqui, porque quando chega, denunciamos. Vemos poucos chegarem, mas sabemos que acontecem mais”.

A menina vítima da violência ocorrida no domingo permanece internada no HU (Hospital Universitário), onde passou por cirurgia, e passa bem. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, e quatro pessoas indicadas pelos três acusados já presos estão sendo procuradas. No entanto, a polícia não descarta a participação de mais pessoas no crime.