Policial
Em nota, vereador diz que não foi preso em operação contra corrupção
Os cinco vereadores de Naviraí presos foram afastados de seus cargos e estão proibidos de se aproximarem da Câmara Municipal quando deixarem a prisão
Campo Grande News
10 de Outubro de 2014 - 09:57
O vereador Vanderlei Chagas (PSD), que desde quarta-feira vem sendo citado como um dos seis legisladores de Naviraí, presos na Operação Atenas, da Polícia Federal, divulgou nota à imprensa nesta quinta-feira afirmando que não foi detido na capital, como fora divulgado pela imprensa estadual.
O nobre vereador em nenhum momento esteve preso ou detido em Campo Grande. Nenhum mandado de prisão foi expedido pela Justiça em seu desfavor. O parlamentar se apresentou nesta quinta-feira (dia 9) na sede da Polícia Federal de Naviraí, para dar esclarecimento sobre alguns fatos ocorridos. Após ser ouvido o vereador Vanderlei Chagas foi liberado, afirma a nota.
Cheguei de viagem durante a manhã e fiquei sabendo que eu estava preso'. Então fui à delegacia e fui ouvido pelo delegado ontem às 16h. Prestei os esclarecimentos e retornei. Fui questionado sobre os trabalhos da Câmara que estão sendo investigados. Eu não tinha conhecimento de nada disso, afirmou Vanderlei ao site nesta manhã.
Os cinco que estão presos são o presidente da Câmara de Naviraí Cícero de Souza, o Cicinho do PT, o vereador e advogado Marcus Douglas Miranda (PMN), o segundo secretário da Câmara Adriano José Silvério (SDD), vereador mais votado nas eleições de 2012, a vereadora e policial civil aposentada Solange Olímpia de Castro Melo (Pros) e Carlos Alberto Sanches (SDD), que se apresentou na Polícia Federal em Campo Grande quando ficou sabendo que estava com prisão preventiva decretada.
Conforme o MPE (Ministério Público Estadual), também estão presos Mainara Gessika Malinski dos Santos, esposa de Cícero dos Santos, e os assessores da Câmara Wagner do Nascimento, Rogério dos Santos Silva e Tiago Caliza da Rocha. Na quarta-feira, a PF informou em entrevista coletiva que foram dez pessoas presas, mas o Ministério Público fala em nove prisões através da Operação Atenas.
O MPE, que participou das investigações junto com a Polícia Federal, informou que os cinco vereadores de Naviraí presos foram afastados de seus cargos e estão proibidos de se aproximarem da Câmara Municipal quando deixarem a prisão.
Vereadores de Naviraí exigiam e recebiam vantagens indevidas para aprovação de leis com diversas finalidades, inclusive para modificação e criação de critérios para o funcionamento de estabelecimentos comerciais. Também foram identificados desvios de recursos públicos através da falsificação de diárias, desvio de combustíveis, fraude em licitações, além de obrigarem alguns servidores do Legislativo a fazer empréstimos bancários para repasse de valores aos investigados, em troca da manutenção de seus cargos.
Além dos 200 policiais federais, a operação contou com a participação dos promotores de Justiça de Naviraí Paulo da Graça Riquelme de Macedo Junior e Letícia Rossana Pereira Ferreira. Segundo o MPE, os dois promotores fizeram uma devassa na cidade com o objetivo de dar prosseguimento à investigação deflagrada em 2013, inclusive com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.
"As investigações apuraram crimes de formação de quadrilha, corrupção e extorsão, contra o Poder Executivo, praticados em prejuízo aos cofres públicos da cidade. Constatou-se ainda durante as investigações um esquema ilegal de recebimento de diárias pagas pelos cofres públicos para viagens que não eram realizadas por servidores públicos municipais, diz a Polícia Federal.
Ainda segundo o Ministério Público, além das prisões a Justiça determinou que fossem cumpridos 35 mandados de busca e ouvidas 28 pessoas, entre elas empresários, políticos e servidores. Ao todo foram apreendidos 27 veículos, quatro armas, um barco e R$ 70 mil em dinheiro. Foram feitas buscas na Câmara, postos de combustíveis, escritórios e residências. Uma das primeiras ações da operação foi a apreensão de computadores e documentação do Legislativo naviraiense.
As medidas cautelares adotadas no dia da operação foram imprescindíveis para o sucesso da operação. Há envolvimento nos crimes de formação de quadrilha, desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, compra de votos com dinheiro público e extorsão contra o Poder Executivo, diz nota divulgada no site do MPE.




