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Policial

Família denuncia farsa da PM e diz que suspeito de assalto foi submetido à sessão de pancadaria no Pelotão

Da violência não escaparam a mãe do rapaz, Julia Ribeiro, uma senhora de 47 anos e o irmão dele, empurrados e atingidos no rosto a socos.

Flávio Paes/Região News

16 de Dezembro de 2013 - 00:03

Foto: Arquivo da Família

Família denuncia farsa da PM e diz que suspeito de assalto foi submetido à sessão de pancadaria no Pelotão

Momento em que Sidney foi dominado pelos policiais, depois o rapaz aparece caído no piso do Pelotão da Polícia Militar e no detalhe, na enfermaria do hospital.

Pode ter sido uma farsa a versão dos policiais militares, registrada em boletim de ocorrência, de que sábado à tarde o suspeito de uma tentativa de assalto à Conveniência Master, Sidney Ribeiro da Silva, depois de quase ser linchado por populares, teria resistido à prisão e junto com familiares, agrediu os dois integrantes da guarnição que foram atender a ocorrência.

Na realidade, segundo relatos dos familiares do suspeito, endossada pelo presidente da OAB de Sidrolândia, David Moura de Olindo, o rapaz foi vítima de uma ação truculenta comandada pelo sargento Xavier que começou no Bairro São Bento e prosseguiu no quartel do Pelotão da Polícia Militar, onde a pancadaria continuou até ele desmaiar. Só com a intervenção de David é que Sidney foi levado no colo pelo irmão dele, Lidival, para ser atendido no Hospital Elmiria Silvério Barbosa.

Da violência não escaparam a mãe do rapaz, Julia Ribeiro, uma senhora de 47 anos e o irmão dele, empurrados e atingidos no rosto a socos. Conforme relato da irmã de Sidnei, Cintia Ribeiro, não é verdade que Sidney tenha resistido à prisão e agredido o sargento Xavier. Ela conta que quando chegou ao local da tentativa de assalto, na Rua Tiradentes, região das Malvinas no São Bento, seu irmão, já tinha sido agredido a pauladas pelo comerciante Divino Savio e o filho dele, Ricardo (não por populares como se divulgou).

Sidney estava imobilizado pelos policiais que teriam batido a cabeça dele contra o muro e mesmo algemado, continuou apanhando. “Um policial o segurava pelos braços enquanto o outro aplicava uma gravata nele e o soqueava na cabeça”, conta Cintia. Diante da cena, sua mãe, que mora perto da conveniência onde tudo começou, teria tentado intervir para pôr fim às agressões, quando houve troca de empurrões entre ela e um dos policiais que a impediu de entrar na viatura para acompanhar o filho até a delegacia.

Sobrou também para o irmão do rapaz, Lidival, que quando pediu aos policiais para não continuarem batendo nele, teve como resposta agressões verbais e um soco no rosto, além de ficar sob ameaça de um revólver. Os policiais então colocaram Sidney na viatura, permitindo que fosse acompanhado do cunhado Leonardo Soares, o quarto membro da família a tentar livrá-lo das agressões.

Segundo Leonardo a violência foi retomada já quando ele desceu do veículo e prosseguiu dentro do Pelotão da PM. Leonardo foi advertido para ninguém da família denunciar as agressões sob pena de sofrer as conseqüências. Quando a mãe de Sidney chegou a PM também recebeu voz de prisão. O presidente da OAB de Sidrolândia pretende denunciar a truculência na tribuna da Câmara e vai encaminhar correspondência ao comandante da Polícia Militar, Coronel David  e ao secretário de Justiça e Segurança do Estado, Wantuir Jacini, pedindo providências, com a abertura de um inquérito policial militar para investigar as denúncias.

Ouça a versão da Polícia Militar.