Policial
Família denuncia negligência médica e busca justiça após morte de menina de 8 anos
Entre idas e vindas, família relata que a menina teria chegado 'andando' na última consulta à UPA; contudo, não saiu do local com vida.
Midiamax
05 de Maio de 2026 - 15:50

Hannah Julia Romeiro Nolasco, de 8 anos, morreu na última quarta-feira (29) após idas e vindas em unidades de saúde em Campo Grande. Alegando negligência médica, a família relata que a menina chegou ‘andando’ na última consulta à UPA (Unidade de Pronto Atendimento); contudo, não saiu do local com vida.
Conforme familiares, tudo começou no dia 24 de abril, quando Hannah foi levada ao CRS (Centro Regional de Saúde) Coophavilla II com sintomas gripais e febre alta. Na ocasião, a menina fez exames e, como houve demora no atendimento devido à alta demanda na unidade, recebeu medicação solicitada pela mãe, Sara Romeira, para reduzir a febre e, posteriormente, voltou para casa.
A mãe destaca que Hannah não teve piora até três dias depois, na segunda-feira (27), quando acordou com os olhos inchados. Na terça-feira (28), a menina apresentou episódios de vômito e, com o agravamento dos sintomas, foi levada à UPA Leblon.
Nesta segunda ida ao médico, Sara afirma que relatou a situação ao médico e, sempre que Hannah vomitava, ficava com os lábios muito roxos e muito pálida. Novamente, a criança foi atendida, recebeu medicação, mediu a glicemia — dita pelo médico como ‘ótima’ — e retornou para casa.
Terceiro e último episódio
Segundo a mãe, o terceiro e último episódio ocorreu horas depois, na madrugada de quarta-feira (29). Após Hannah relatar dores nas pernas, na nuca e nos braços, a família teria retornado à UPA Leblon, onde passou por triagem rápida e a médica atendeu, informou que não era meningite e que repetiria um novo exame.
A mãe destaca que informou que a filha já havia realizado o exame mais cedo; contudo, a médica informou que não havia exames anteriores no registro da unidade. A profissional então teria receitado, além do exame de sangue, um raio-x e medicações.
Jogo de ‘empurra-empurra’
Quando a mãe deixou a sala da médica, ela afirma que houve um ‘jogo de empurra-empurra’ entre as salas de medicação e reavaliação. Durante a situação, Hannah ficou desacordada nos braços da Sara e foi encaminhada à emergência.
“Quando ela desfaleceu, levaram minha filha. A médica disse que ela seria intubada que ela estava mal, mas ela já estava morta. Sabemos que ninguém intubou. Eu vi que minha filha já estava morta”, relata Jeremias Rodrigues Nolasco, pai de Hannah.
Após entrar no setor, porém, Hannah teria deixado o local já sem vida. As informações passadas à família alegam que a criança teria sido intubada e apresentado problemas respiratórios na emergência. O caso foi registrado pela equipe médica como ‘morte natural’.

Perante as ocorrências, a equipe de reportagem acionou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para solicitar um posicionamento. Não houve retorno até o momento da publicação. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
Criança ativa e alegre
Natural de Corumbá, a família chegou a Campo Grande há apenas cinco meses. Após a perda de Hannah, familiares destacam a busca por justiça e lembram da menina como uma criança ativa, alegre e de muita fé. Recentemente, inclusive, comentaram que a criança havia retornado para casa com um novo sonho: ser médica.
“A gente já passou por um luto em 2014, quando perdemos minha irmã Sofi. Quando minha mãe descobriu que estava grávida, eu fiquei muito feliz. Ela era a resposta das minhas orações e me dói muito isso. Ela era minha parceira, minha alegria. Em todo canto da casa, tem um pouco dela”, afirma a irmã, Jenniffer Romeiro Nolasco.
Caso João Guilherme
Caso semelhante ocorreu com João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, no início de abril. O menino morreu após uma saga na UPA do Tiradentes, depois de cair jogando bola. A família o levou à unidade de saúde no dia 2 de abril, mas, entre idas e vindas, ele acabou morrendo no dia 6 de abril.
Uma suposta falha na intubação feita na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em que o menino recebeu atendimento, após a queda enquanto jogava futebol, foi apontada como uma possível causa para a morte.
João estava com o joelho trincado e passou por exames de raio-x, mas somente na quarta ida à UPA detectou-se a lesão. Ele foi intubado na segunda-feira (6) e transferido para a Santa Casa, onde foi intubado novamente, mas não resistiu.




