Policial
Gravações mostram vereadores em Naviraí negociando vantagens
O diálogo gravado é entre o presidente da Câmara Municipal de Naviraí, Cícero dos Santos (PT) e outro vereador, do PMN
G1 MS
09 de Outubro de 2014 - 15:59
Escutas
telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) com autorização da Justiça mostram
vereadores de Naviraí, negociando vantagens. Na conversa, eles também ofendem a
população. As investigações começaram em 2013. A data da gravação não foi
divulgada.
O diálogo gravado é entre o presidente da Câmara Municipal de Naviraí, Cícero
dos Santos (PT) que em entrevista declarou ser "inocente"
e outro vereador, do PMN.
Veja trecho das gravações:
Cícero dos Santos: Quero que se f...!
Outro vereador: O povo?
Cícero dos Santos: Tô igualzinho...
Outro vereador: Eu aprendi com você demais!
Cícero dos Santos: O povo que se f....! Que tome no c...!
Outro vereador: Aham?
Cícero dos Santos: O povo que tome no c...! Que vai pra p... que p...!
Outro vereador: Claro! Quero nem solução!
Cícero dos Santos: Senta na p.... e roda!
Outro vereador: Claro!
Cícero dos Santos: Povo vai se f..., povo!
Outro vereador: (Risos)
Cícero dos Santos: Botar no face: O povo tem que se f...
Esquema
Os dois legisladores municipais e outras oito pessoas foram presas nessa quarta-feira (8) durante operação da Polícia Federal (PF). Do total de presos, sete são por mandado de prisão preventiva e três por mandado de prisão temporária. Há vereadores e empresários.
Conforme
a PF, os vereadores montaram um esquema para ficar com parte dos salários pagos
aos servidores comissionados e também cobravam por liberação de alvarás a
comerciantes.
Os funcionários eram obrigados a fazer empréstimo consignado junto a
instituição financeira antes mesmo de começar a trabalhar. O delegado Nilson
Negrão explica como o era o esquema.
Dois mil reais um salário. Eu político. Eu te contrato comissionado, mas você me dá R$ 500 por mês. Mas eu quero receber à vista. Então, faz um empréstimo e aí esse empréstimo você me dá", conta o delegado.
O superintendente da PF em Mato Grosso do Sul, Edgar Marcon, declara.
"O que foi levantado é que a corrupção é devido à ganância desses
vereadores, não nas eleições, uma vez que investiam em imóveis. Existe indícios
que estavam lavando dinheiro da corrupção em empresas".
Operação Atenas
Além dos 10 mandados de prisão, a ação também cumpriu 28 conduções coercitivas e 35 mandados de busca e apreensão. As suspeitas são de envolvimento nos crimes de formação de quadrilha, corrupção e extorsão contra o Poder Executivo.
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, na ação foram apreendidos 27 carros, uma motocicleta, um barco, R$ 70 mil em espécie e ainda um cofre cujo dono disse aos policiais que havia aproximadamente R$ 50 mil dentro. Ainda de acordo com a PF, as investigações revelaram a participação de parlamentares e empresários em crimes contra os cofres públicos.




