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Policial

Jornalista assassinado foi expulso da polícia após ser acusado de estupro

Nicodemos acabou absolvido das acusações, mesmo assim, foi exonerado do cargo de escrivão em 2012.

Campo Grande News

27 de Dezembro de 2016 - 17:00

O jornalista Nicodemos Moura Rodovalho de Alencar, 53 anos, morto na manhã desta terça-feira (27), no Bairro Nova Lima, região Norte de Campo Grande, havia sido expulso da Polícia Civil em 2012, por suspeita de estupro a adolescentes.

O suposto crime teria ocorrido em 2011, quando Nicodemos era escrivão da PC, em Coronel Sapucaia – distante cerca de 400 quilômetros de Campo Grande.

Conforme a denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) feita na época, o acusado realizava passeios noturnos e abordava as adolescentes oferecendo carona. Ao conquistar a simpatia das garotas, oferecia dinheiro ou ameaçava para ter relação sexual.

Uma das vítimas, segundo a denúncia, tinha 13 anos e foi levada para o alojamento da sede da delegacia da Polícia Civil por pelo menos três vezes. Em troca, ele teria pago R$ 30 a adolescente.

Em outro caso, Nicodemos teria forçado uma jovem de 15 anos a ter relações sexuais com ele, ameaçando-a com uma arma. Depois agrediu a vítima, que fugiu e buscou abrigo na casa de uma prima.

Em 2011, o policial foi preso em flagrante por conta das acusações. Mas, no início de 2012 acabou absolvido dos crimes de estupro. Mesmo diante da absolvição, em 27 de fevereiro de 2012, o escrivão foi expulso da Polícia Civil.

Na publicação do Diário Oficial, a alegação da Polícia Civil para demitir o escrivão foi de que o policial "valeu-se de sua qualidade de servidor policial civil, para melhor desempenhar atividades estranhas ou incompatíveis às funções, ou para lograr proveito direta ou indiretamente, por si ou interposta por pessoa, em detrimento da dignidade do cargo ou função´, conforme o Art. 164 da Lei Orgânica da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Como agravantes, a PC também ressaltou a infração de "fazer uso indevido de documento funcional, arma, algema ou bens da repartição ou cedê-los a terceiros", "portar-se de modo inconveniente em lugar público ou acessível ao público", praticar atos que importe em escândalo ou que concorra para comprometer a instituição ou função policial" e "valer-se do cargo com o fim ostensivo ou velado de obter proveito de natureza político-partidário ou de qualquer natureza, para si ou para outrem", do Artigo 156.

Morte - Nicodemos morreu depois de levar um tiro na cabeça, durante uma emboscada no Bairro Nova Lima, região Norte de Campo Grande. A polícia suspeita que motivação do crime teria sido o envolvimento dele com uma garota, que a polícia ainda não revela a identificação.

De acordo com informações de testemunhas relatadas aos investigadores do 2º DP (Departamento de Polícia), que vai cuidar da apuração do caso, Nicodemos, casado e pai de dois filhos, mantinha um relacionamento extraconjugal com uma jovem moradora do bairro.

A jovem também teria um relacionamento com outro homem, que descobriu o caso dela com Nicodemos e passou a ameaçar a vítima.

Na manhã de hoje, por volta das 10h30, o homem que ameaçava o jornalista teria armado uma emboscada em um bar no bairro Nova Lima.

Testemunhas contaram que o homem pediu para a jovem ligar para Nicodemos e convidá-lo para ir a um bar. Ao chegar no local e perceber que corria perigo, a vítima tentou fugir, mas foi perseguido e morto.

Os atiradores, segundo testemunhas, ocupavam um veículo Gol. A polícia já tem a identificação do suspeita e da moça, que seria pivô do crime, mas os nomes não foram divulgados.