Policial
Megatraficante solto por desembargador vivia como "próspero agricultor" na Bolívia
Gerson Palermo estava em Cotoca, cidade próxima de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido na região como empresário.
Correio do Estado
27 de Maio de 2026 - 08:18

Gerson Palermo vivia escondido da Justiça brasileira há quase 10 anos e estava morando em uma cidade da Bolívia que fica a cerca de 600 km de Corumbá, que tem pouco mais de 106 mil habitantes e é conhecida pelo turismo local, por abrigar a sede do Santuário da Virgem de Cotoca, santa padroeira do Oriente Boliviano. Por ano, ao menos 200 mil pessoas visitam o santuário.
Ele foi preso na madrugada de ontem, a partir de uma operação que mobilizou policiais da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (FELCN) e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).
A Polícia Federal (PF), que mantém agentes em Santa Cruz de la Sierra, atuaram em conjunto ao fornecer detalhes de monitoramento do foragido. Conforme apurado, essa equipe mantém o monitoramento que chega a 70 nomes de criminosos que são fugitivos e ligados a facções criminosas. O criminoso estava estabelecido na cidade, distante cerca de 20 km de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido como um empresário que atua no ramo da agricultura.
Cotoca tem como base de sua economia a agricultura (algodão, soja, mandioca), pecuária, silvicultura, pesca, além do setor industrial com fábrica de ferro para construção civil e ferrovias.
Sua permanência em Cotoca já vinha sendo registrada há alguns anos, conforme apurado. E ele seguiu morando no município mesmo depois que outro criminoso chegou a ser preso também em Cotoca, no começo deste mês, por conta de crimes relacionados ao Comando Vermelho (CV).
As informações divulgadas pela FELCN apontaram que Palermo tinha residência nos arredores de Cotoca, com uma vida relativamente discreta. Com seus 68 anos, ele se apresentava na região como empresário brasileiro.
Não foi confirmado qual era a identidade que ele apresentava e se tinha documento falso. Quando foi abordado em sua casa, ele não demonstrou reação. Também não foi divulgado se houve apreensão de armas na residência dele.
O criminoso, condenado a 126 anos de prisão, conseguiu fugir do cumprimento de pena em regime semiaberto em 20 de abril de 2020, depois de obter habeas corpus que foi despachado pelo desembargador Divoncir Maran.
O pedido foi concedido com cerca de 20 minutos depois de protocolado, mesmo tendo mais de 200 páginas. Além disso, Palermo foi apontado em investigações como um dos principais elos no tráfico internacional de drogas, trazendo cocaína em aeronaves da Bolívia e fazendo a distribuição, a partir de Corumbá, em caminhões. Sua ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi indicada.
Além disso, ele participou do sequestro de um Boeing 727 da Vasp para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.
OPERAÇÃO CONJUNTA
Na Bolívia, está em curso um operativo de larga escala que foi denominado Plano Halcón, que foi lançado no começo de maio. A proposta é atuar com tropas policiais envolvendo a FELCN, Fuerzas Armadas de la Nación, Polícia Nacional e autoridades do Executivo para combater o crime organizado por meio de monitoramento fronteiriço e ações de inteligência, além de apoio de forças policiais de outros países vizinhos, como é o caso da PF.
Esse trabalho está concentrado para a região de Santa Cruz de la Sierra, onde há uma atuação de membros da fação PCC, além de outras organizações criminosas.
“A prisão foi realizada por efetivo do Grupo de Inteligencia y Operaciones Especiales (Gioe Oriente-GER) da FELCN, em coordenação com a PF do Brasil. O cidadão brasileiro foi transferido para as dependências da Interpol para os procedimentos correspondentes e para fins investigativos. Essa operação foi possível graças ao intercâmbio de informações e cooperação entre as forças policiais da Bolívia e do Brasil. Exemplo da importância do trabalho conjunto na luta contra o narcotráfico internacional”, afirmou.
Urenda ainda reforçou em seu comunicado oficial que as autoridades bolivianas estão em um esforço conjunto para combater a atuação de criminosos que buscam fugir de questões legais em outros países na Bolívia. “Bolívia não deve ser refúgio de fugitivos vinculados ao narcotráfico”.
ESCONDERIJO
O município que está na região metropolitana de Santa Cruz de la Sierra, mas tem vida autônoma, de certa forma pacata e distante da estrutura de autoridades que têm sede no grande centro protagonizou outro refúgio de procurado pela Justiça brasileira.
No começo deste mês, Kleber Nóbrega Pereira, o Kekeu, foi preso também em Cotoca, durante o fim de semana. Ele é apontado como liderança no CV, facção iniciada no Rio de Janeiro. Ele vivia na cidade com a esposa, Micaely Santos Silva, e atuava com as finanças do CV.
A ligação dele com o crime envolve investigações sobre tráfico internacional de drogas, crime organizado, tráfico de armas, homicídio, lavagem de dinheiro, corrupção de menores e roubo.




