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Policial

Pecuarista Bumlai é preso em Brasília na 21ª fase da Lava-Jato

São cumpridos ainda 25 mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva, em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

Flávio Paes/Região News

24 de Novembro de 2015 - 09:37

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira a 21ª fase da Operação Lava-Jato denominada "Passe Livre". Na ação, foi preso preventivamente o pecuarista José Carlos Bumlai, no Hotel Golden Tulip, em Brasília. Ele iria depor hoje na CPI do BNDES, que investiga operações envolvendo o banco, por isso viajou ao Distrito Federal. Amigo do ex-presidente Lula, o empresário é acusado de envolvimento em fraude no contrato para a operação do navio-sonda Vitória 10.000.

São cumpridos ainda 25 mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva, em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Ao todo, 140 policiais federais e 23 auditores fiscais participam da ação.

De acordo com a Polícia Federal, a fase foi deflagrada a partir de investigações das circunstâncias de contratação de navio-sonda pela Petrobras, com "concretos indícios" de fraude em licitação.

A prisão de Bumlai foi decretada pelo juiz Sérgio Moro. O pecuarista foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e nas próximas horas será encaminhado para Curitiba.

O advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros filho, foi surpreendido pela notícia da prisão em Brasília.

— Só tenho certeza da prisão porque a Polícia Federal confirmou. Ainda não sei detalhes — disse Malheiros ao GLOBO no início da manhã.

Ele está em São Paulo e viajaria para Brasília para acompanhar o depoimento de seu cliente na CPI do BNDES. Perguntado se o motivo seria a delação premiada de Salim Schahin, um dos sócios do grupo Schahin, ele disse:

— Com certeza, mas é uma delação sem prova nenhuma.

Bumlai passou a ser alvo da Lava-Jato a partir de delação premiada feita pelo lobista Fernando Baiano. Em depoimento, ele disse que deu R$ 2 milhões a Bumlai, que teria lhe falado que o dinheiro era para pagar um imóvel de uma nora de Lula. O pecuarista também é acusado de conseguir o perdão de um empréstimo de R$ 12 milhões, usados para quitar uma dívida do PT.

Bumlai confirmou que recebeu o empréstimo de R$ 12 milhões da Schain, mas que quitou a dívida com Salim Schain, um dos acionistas da empresa, pagando em sêmen de boi.

HOMEM DE LIVRE ACESSO AO GABINETE DE LULA

Durante os dois governos do ex-presidente Lula existia uma máxima em Brasília: só duas pessoas entravam sem bater no gabinete presidencial. Uma delas era a dona Marisa. A outra, um então desconhecido José Carlos Bumlai. Mesmo longe dos holofotes, o empresário e pecuarista gozava de um prestígio incomum até para alguns ministros da época.

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A ligação entre Lula e Bumlai começou em 2002, quando o então candidato Lula enfrentava resistência de setores econômicos, entre eles o agropecuário. Para ajudar a reverter a rejeição, o governador do Mato Grosso do Sul e candidato à reeleição, Zeca do PT, fez questão de que Lula conhecesse Bumlai - "um dos maiores pecuaristas do Brasil" - como definiu. A empatia entre o candidato e o fazendeiro foi imediata.

Ainda naquela eleição, Lula passaria quatro dias na fazenda do empresário, nos arredores de Campo Grande, gravando programas eleitorais. Enquanto estiveram juntos, Lula e Bumlai estreitaram os laços entre churrascos e pescarias. Em 2009, a uma revista ligada ao agronegócio, o empresário disse que o encontro "foi um marco histórico".

Aos 71 anos, Bumlai, que nasceu em Corumbá (MS), é considerado um dos mais bem-sucedidos empresários do setor pecuarista. Engenheiro civil de formação, atuou na área por 30 anos, e trabalhou no mercado de construção pesada. Foi diretor e conselheiro da Constran - a empresa pertence hoje a Ricardo Pessoa, coordenador do cartel das empreiteiras da Petrobras.