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Policial

PF cobra explicações da Polícia Civil sobre liberação do corpo de Oziel para necropsia

O Ministério Público Federal vai investigar a atuação da Polícia Federal na reintegração de posse da Fazenda Buriti.

Flávio Paes/Região News

05 de Junho de 2013 - 14:38

A Polícia Federal, que instaurou o processo investigatório sobre a atuação dos seus agentes na reintegração de posse da Fazenda Buriti na última quinta-feira, quando morreu o indígena Oziel Gabriel, está cobrando explicações da Polícia Civil e do próprio médico legista, Wolney Pereira, para identificar de quem partiu a autorização de liberar o corpo do Hospital Elmiria Barbosa onde o terena foi levado agonizante para ser atendido, para a Pax Bom Jesus onde o legista fez a necropsia já que o Instituto Médico Legal estava fechado porque a responsável aproveitou o feriado, viajou e levou a chave.

A delegacia Debora Mazzola, que quinta-feira estaria na zona de conflito acompanhando a reintegração, inicialmente se recusou a registrar o boletim de ocorrência do crime, nega ter autorizado à liberação do corpo. O escrivão Ortiz, que estava de plantão e deu autorização por telefone para a funerária retirar  o corpo do hospital, diante do posicionamento da delegada, agora garante que jamais deu aval para  o translado.

 Além da Superintendência Regional da Polícia Federal, a atuação dos agentes também será investigada pelo Ministério Público Federal. Por orientação do procurador Emerson Siqueira, o corpo do indígena assassinado foi levado a Campo Grande onde no sábado um perito criminal federal e outro encaminhado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – fizeram nova necropsia para servir de base para o laudo em que se tentará apurar qual o calibre da bala que acabou matando o indígena Oziel Gabriel.

Na operação, comandada pela Polícia Federal, 18 indígenas foram presos – 3 adolescentes, 1 mulher, 3 idosos e 11 homens – por resistência ao cumprimento de ordem judicial. Quanto ao uso ou não de armas letais, o MPF recebeu dos indígenas cápsulas de balas. Cartuchos de munição “.40”, “.45 auto” e “9 mm” foram encontrados pelos índios logo após a operação de reintegração da Fazenda Buriti.