Policial
Polícia Federal faz mistério e diz que desocupação pode acontecer a qualquer momento
O prazo dado pela Justiça para os terenas deixarem a área espontaneamente, terminou sábado às 15 horas, horário em que aparato político chegou à cidade.
Flávio Paes/Região News
19 de Maio de 2013 - 20:36
Foto: Marcos Tomé/Região News
O aparato apoteótico montado no sábado com 75 policiais (entre federais e policiais militares), cães farejadores e até um helicóptero cedido pela Polícia Rodoviária Federal não impressionou os índios que desde quarta-feira de madrugada ocupam as fazendas Cambará e Buriti. A Polícia Federal faz mistério sobre quando promoverá a desocupação das propriedades.
O prazo dado pela Justiça para os terenas deixarem a área espontaneamente, terminou sábado às 15 horas, horário em que aparato policial chegou à cidade. Ricardo Bacha, dono da fazenda Buriti, em companhia da família, está hospedado em Sidrolândia, onde se mantém em vigília" aguardando o cumprimento da ordem de desocupação.
Na opinião dele, a solução é montar uma comissão com indígenas, produtores e políticos para ir a Brasília em busca de acordo. O superintendente da Polícia Federal, Edgar Marcon e o procurador federal Emerson Kalife Siqueira, tentou convencer os índios a deixarem a propriedade. Os terenas se recusaram, apostando que na segunda-feira vão conseguir derrubar no Tribunal Regional Federal, a liminar do juiz Renato Toniasso, favorável aos fazendeiros.
Há um precedente de julgamento do TRF favorável aos índios. Em 2006, os desembargadores do Tribunal, com base nas perícias judiciais, declararam estas propriedades hoje ocupadas, junto com outras 17, terra de ocupação tradicional indígena, reformando sentença do juiz federal Odilon de Oliveira, que dava ganho de causa aos fazendeiros.
Calmaria
O domingo foi de calmaria na Fazenda Buriti, depois das horas tensão verificados no sábado, quando os índios invadiram a sede da propriedade, os fazendeiros foram retirados da área sob escolta da federal e chegou o aparato policial para promover a reintegração de posse. Os índios terenas ocupam desde maio de 2011, a fazenda 3R, também da família Bacha e desde fevereiro, estão na Fazenda Querência, de Lourdes Bacha, tia de Ricardo Bacha.
A série de ocupações é parte da reivindicação dos 17 mil hectares da aldeia Buriti que estão na posse de fazendeiros e que foram identificados em 2011 como terras indígenas. Atualmente, cerca de cinco mil índios vivem em apenas 2,1 mil hectares.
Terra Indígena
A Terra Indígena Buriti foi reconhecida em 2010 pelo Ministério da Justiça como de posse permanente dos índios da etnia terena. A área, localizada entre Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia, foi delimitada em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) e abrange 17.200 hectares. Após a declaração, o processo segue para a Casa Civil, para a homologação da presidência da República, o que ainda não foi feito.
Durante nove anos, as comunidades indígenas aguardaram a expedição da portaria declaratória. O relatório de identificação da área foi aprovado em 2001 pela presidência da Funai, mas decisões judiciais suspenderam o curso do procedimento demarcatório.





