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Policial

Polícia Militar Rodoviária apreende contrabando na MS 276

Os apreciadores da carne bem passada e escura do churrasco correm riscos, pois este tipo de carne tem a presença de nitrosaminas, compostos químicos cancerígenos.

Assessoria

12 de Agosto de 2013 - 10:17

A ligação entre alimentação e o surgimento ou agravamento de doenças está cada dia mais evidente. E o oposto também: cada vez mais estudos provam que alguns alimentos podem melhorar a saúde.

No caso do câncer, não só o consumo em excesso e por longos períodos de alguns alimentos, como até mesmo o modo de prepará-los, pode colaborar para que a doença surja. Neste grupo entrariam gorduras e frituras, por exemplo.

Os apreciadores da carne bem passada e escura do churrasco correm riscos, pois este tipo de carne tem a presença de nitrosaminas, compostos químicos cancerígenos. Comer alimentos com excesso de sódio também pode provocar o aparecimento de câncer de estômago.

"Já sabemos que a alimentação tem forte relação com câncer de intestino, estômago, próstata e da mama", conta o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Junior, diretor do Núcleo de Câncer Colorretal do A. C. Camargo, . Porém, ele admite que ao tentar modificar o fator dieta dos pacientes, não viu grandes impactos.

"A alimentação não age sozinha. Quando falamos em prevenção de doenças, é preciso pensar no comportamento geral, sendo que o sedentarismo é um fator importante. A doença surge quando não há um equilíbrio no metabolismo, o que causa obesidade, sobrepeso e diabetes, por exemplo", diz o oncologista.

O oncologista clínico Hezio Jadir Fernandes Jr., diretor do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), conta que entre 50% e 60% dos casos de câncer surgem por alteração ambiental: "Dentro dessas alterações estão os hábitos alimentares. Eles podem ser nefastos e há aqueles que podem ser chamados de protetores".

Ele inclui na classe de nefastos os alimentos gordurosos, aqueles com excesso de proteína, pobres em fibras vegetais e vitaminas. Os protetores seriam os ricos em vitaminas, fibras e antioxidantes. Mas o médico avisa: "Semear o pânico é pior que a doença em si. A pessoa não pode pensar 'vou comer isso e terei câncer'. Graças aos avanços tecnológicos, estamos conseguindo detectar subpopulações com risco de desenvolver a doença".

Carne vermelha

A nutricionista Renata Souza Alvim, do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), conta que não é correto dizer que determinados alimentos fazem mal, pois todos são importantes para o funcionamento adequado do organismo e devem ser consumidos moderadamente.

Ela enfatiza que as carnes podem ser fontes valiosas de nutrientes, em particular proteínas, ferro, zinco e vitamina B12. Porém, também alerta que o consumo em excesso das vermelhas ou processadas é causa comprovada ou provável de alguns tipos de câncer: "Padrões alimentares com elevados níveis de gordura animal são fontes ricas de energia, aumentando o risco de ganho de peso e, em consequência, doenças. Pessoas que comem carne vermelha regularmente devem consumir menos de 500g por semana, incluindo pouca ou nenhuma quantidade da versão processada".

A nutricionista Thais Manfrinato, do Hospital A. C. Camargo, concorda: "O excesso de peso e a obesidade também são considerados fatores de risco para cânceres de mama, intestino, próstata e endométrio. Por isso, alimentos gordurosos, como frituras, leite e derivados na forma integral e molhos prontos devem ser evitados, pois facilitam o aumento do peso. Assim como doces, que levam à obesidade mais facilmente".

Porém, Manfrinato afirma que ao falarmos de alimentação e câncer, devemos tomar muito cuidado com as informações que são passadas, pois nem sempre o que se propaga por aí é algo que já foi comprovado cientificamente.

Manfrinato conta que já está bem comprovado que o consumo excessivo de carne vermelha cozida por semana aumenta em 35% o risco de câncer de intestino grosso e o consumo excessivo de embutidos (presunto, linguiça, salsicha) aumenta o risco em cerca de 50% de desenvolver este mesmo tipo de câncer.

"Os embutidos ainda aumentam risco de câncer de esôfago e estômago, por conterem nitrito como conservante. Também é bem elucidado que o consumo de fibras auxilia na prevenção de vários tipos de câncer e é bem relacionado com a prevenção do câncer de intestino e mama", afirma ela. Nitritos e nitratos, muitos utilizados como conservantes, são conhecidos como agentes cancerígenos.

Samuel Aguiar Júnior diz que as nitrosaminas são usadas como conservantes, especialmente da carne processada, e que mesmo sendo perigosas, não há como tirá-las da indústria alimentícia: "O certo é evitar o consumo em excesso".

As nutricionistas concordam que se deve manter não somente hábitos alimentares saudáveis, mas também um estilo de vida saudável, incluindo a prática de atividade física, a baixa ingestão de bebidas alcoólicas e a exclusão do fumo. "Quando falamos em prevenção do câncer, temos que lembrar que é uma somatória de diminuição da exposição aos fatores de risco, como os citados acima", diz Manfrinato.