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Policial

Preso de MS continua a se passar por médico e a aplicar golpes, diz polícia

Em um trecho de um dos depoimentos prestados, gravado e divulgado pela Polícia Civil, o suspeito conta como chega às vítimas e como planeja os golpes.

G1 MS

26 de Março de 2014 - 14:49

Preso desde janeiro de 2012 por estelionato, Valfrido Gonzales Filho, de 35 anos, é suspeito de continuar a aplicar golpes de dentro do presídio. Em junho de 2013, a Polícia Civil divulgou que ele, mesmo na preso, se passava por médico e até por padre para conseguir dinheiro. Na época, o homem foi indiciado e, mesmo assim, segundo o delegado Wellington de Oliveira, continuou a fazer vítimas.

De acordo com Oliveira, Gonzales Filho confessou os crimes, que só de maio a dezembro de 2013, renderam a ele cerca de R$ 200 mil com as práticas, chamadas pela polícia de "golpes da desgraça". Ainda segundo a polícia, foram cerca de 30 golpes aplicados em pessoas hospitalizadas ou familiares de pessoas hospitalizadas. O suspeito já fez vítimas em outros três estados, além de Mato Grosso do Sul, segundo o delegado.

Em um trecho de um dos depoimentos prestados, gravado e divulgado pela Polícia Civil, o suspeito conta como chega às vítimas e como planeja os golpes.

O suspeito liga para o hospital, consegue informações sobre pacientes, se identifica a eles como médicos e os convence a depositar determinadas quantias em uma conta corrente alegando que com o montante irá comprar medicamento importado necessário para o tratamento. "Ele não conhece nada de medicina. Vai se alimentando de informação que o paciente ou acompanhante passa", fala Oliveira.

O pecuarista Luiz Waldemar Barneze pode ter sido uma das vítimas do detento. Na última semana, enquanto esperava a esposa sair de uma cirurgia na coluna, ele recebeu uma ligação no quarto do hospital. Segundo a vítima, um homem, que se identificou como médico, informou que a operação da mulher foi bem sucedida, mas afirmou que seria necessário um tratamento pós-operatório.

Ainda segundo a vítima, o golpista passou o número de uma conta bancária. O pecuarista fez o depósito de R$ 3,2 mil para a compra dos medicamentos e, em seguida, recebeu uma nova ligação. O falso médico disse que a paciente precisaria de outro medicamento, no valor de R$ 20 mil, por conta da descoberta de um tumor.

Alerta

No hospital onde a esposa de Barneze ficou internada, o gerente informou que enviou um comunicado aos funcionários e também alertou familiares de pacientes em relação ao golpe.