Policial
Prisões temporárias da 26ª fase da Lava Jato vencem neste sábado
Nove investigados devem ter situação avaliada pelo juiz Sérgio Moro. Etapa investiga departamento de pagamentos ilícitos da Odebrecht.
G1
26 de Março de 2016 - 08:53
Vence neste sábado (26) o prazo das prisões temporárias de nove investigados na 26ª fase da Operação Lava Jato. Eles estão presos na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba e aguarda decisão do juiz Sérgio Moro sobre a continuidade, ou não, das prisões.
A mais recente fase da Lava Jato investiga o Setor da Odebrecht, que, de acordo com a polícia, se tratava de um departamento exclusivo para o gerenciamento e pagamento de valores ilícitos. A operação foi baseada na delação premiada de Maria Lúcia Tavares, ex-funcionária da empreiteira que atuava no setor.
O juiz deve decidir ao longo do dia se libera os presos, se prorroga as temporárias por mais cinco dias, ou se as transforma em preventiva sem prazo para terminar. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) devem dar pareceres sobre o assunto nos autos da investigação.
Na quinta-feira (24) o juiz Sérgio Moro decretou sigilo sobre o andamento desta fase da Operação, denominada Xepa.
Estão presos temporariamente:
1) Antônio Claudio Albernaz Cordeiro - operador.
2) Antônio Pessoa de Souza Couto - subordinado a Paul Altit.
3) Isaias Ubiraci Chaves Santos - envolvido na confecção das planilhas e das requisições de pagamentos.
4) João Alberto Lovera - executivo da Odebrecht Realizações Imobiliárias.
5) Paul Elie Altit - chefe da Odebrecht Realizações Imobiliárias.
6) Roberto Prisco Paraíso Ramos - chefe da Odebrecht Óleo e Gás.
7) Rodrigo Costa Melo - subordinado a Paul Altit.
8) Sergio Luiz Neves - diretor superintendente da Odebrecht subordinado a Benedicto Barbosa Júnior é o chefe da Odebrecht Infraestrutura.
9) Alvaro José Galliez Novis - diretor da Hoya Corretora de Valores e Câmbio Ltda. Responsável pela entrega do dinheiro no Rio de Janeiro e São Paulo.
A 26ª fase ainda teve expedido quatro mandados de prisão preventiva. Apenas um deles, contra o executivo da Odebrecht Luiz Eduardo da Rocha Soares, não foi cumprido. Segundo a PF, ele está no exterior e é considerado foragido.
Estão presos preventivamente:
1) Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho - executivo da Odebrecht.
2) Olivio Rodrigues Júnior - sócio da empresa JR Graco Assessoria e Consultoria Financeira Ltda. O nome dele constava na agenda de Maria Lucia Tavares.
3) Marcelo Rodrigues - é irmão de Olívio ligado a off-shores Klienfeld Services, utilizada pela Odebrecht para pagar propina a agentes da Petrobras.
26ª fase
A força-tarefa da Lava Jato afirma que a Odebrecht tinha uma estrutura profissional de pagamento de propina em dinheiro no Brasil. A empresa, ainda conforme a investigação tinha funcionários dedicados a uma espécie de contabilidade paralela que visava pagamentos ilícitos. A área era chamada de "Setor de Operações Estruturadas".
O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os pagamentos feitos pela Odebrecht estão atrelados a diversas obras e serviços federais e também a governos estaduais e municipais. Dentre elas está à construção da Arena Corinthians, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
A estimativa é de, ao menos, R$ 66 milhões em propina distribuída entre 25 a 30 pessoas. Este valor, segundo a Polícia Federal (PF), estava disponível em apenas uma das contas identificada como pertencente à contabilidade paralela da empresa.
Além do estádio, a operação também investiga irregularidades no Canal do Sertão, na Supervias, no Aeroporto de Goiânia e na Trensurb, do Rio Grande do Sul.
Se chegou a observar R$ 9 milhões de um dia para outro em dinheiro em espécie, disse a procuradora do Ministério Público Federal (MPF) Laura Gonçalves Tesser. Os pagamentos ilegais ocorreram já com mais de um ano da Lava Jato em curso.
A fase teve como base os depoimentos de colaboração de Maria Lúcia Tavares, que trabalhava no setor da contabilidade paralela. Ela detalhou aos investigadores o funcionamento dos trabalhos.




