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Policial

Processo sigiloso volta a vazar e coloca trabalho do MPE em xeque

A Força-Tarefa do Ministério Público Estadual foi criada só depois que a Polícia Federal descobriu suposto desvio na gestão de André Puccinelli (PMDB).

Midiamax

08 de Dezembro de 2015 - 08:41

O Ministério Público Estadual (MPE) volta a ser alvo de desconfianças. Desta vez o processo que investiga servidores da gestão do governador André Puccinelli (PMDB) que vazou, colocando em dúvida o trabalho realizado pelo órgão na chamada “Força-Tarefa”.

A Força-Tarefa do Ministério Público Estadual foi criada só depois que a Polícia Federal descobriu suposto desvio na gestão de André Puccinelli (PMDB). Com o escândalo o MPE foi obrigado a investigar pelo menos recursos do Estado e criou a Força-Tarefa.

O trabalho do MPE passou a ser feito sob sigilo, a ponto até de esconder os dias de depoimento dos envolvidos. Depois foi a vez de pedir a prisão de todos os envolvidos, o que acabou resultando em vergonha para o órgão. Pouco tempo depois, todo mundo estava passeando livremente nas ruas.

Agora, começa a vazar parte de denúncia que teria sido feita pelo Ministério Público Estadual no trabalho da Força Tarefa, o que faz surgir várias teorias da conspiração sobre qual seria a jogada neste processo, que envolve protagonistas da gestão de um dos políticos mais influentes do Estado, o ex-governador André Puccinelli (PMDB).

A teoria parte da própria dúvida em relação a investigação, visto que o próprio MPE não tinha feito investigação até a Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União darem o primeiro passo. A demora do MPE levantou questionamentos, por exemplo, do deputado federal Zeca do PT, que disparou. “Até que enfim o MPE entrou na investigação”.

Outra teoria da conspiração parte da própria defesa dos envolvidos, que questiona os vazamentos, dizendo que nem advogados sabem do conteúdo da investigação. Já o MPE, via assessoria de imprensa, nega que promotores estejam vazando informações. Estes questionamentos, que no final são usados pela própria defesa, para tentar desqualificar o processo, faz alguns pensarem se não seria uma jogada neste intuito.

“O processo está em sigilo. Acredito que só pode ser o MPE. Ele é autor da ação penal. Só podem ter sido eles. Quem tem a informação? O segredo é absoluto, inclusive dos advogados. Não houve citação”, declarou o advogado de uma das partes, Valeriano Fontoura.

O fato é que a assessoria de imprensa do MPE alega que a investigação continua, mesmo circulando informações sobre possível denúncia apresentada pela instituição a Justiça. Recentemente, um caso de vazamento balançou outra investigação: a da Coffee Break.

O promotor Marcos Alex Vera encaminhou pedido de afastamento de 17 vereadores e prisão de Gilmar Olarte (PP) e João Amorim, mas a informação vazou um dia antes do próprio desembargador Luiz Claudio Bonassini receber o pedido. Na decisão o desembargador negou e questionou o vazamento da informação. O fato irritou o promotor Marcos Alex, que chegou a pedir para ser afastado dos trabalhos e acabou convencido a ficar.

A Lama Asfáltica investiga contratos da gestão de André Puccinelli. Mais de 30 contratos teriam sido levados quando a operação foi deflagrada. A investigação começou em 2013, mas só neste ano ocorreram as apreensões.

A Força-Tarefa do MPE levou o juiz Carlos Alberto Garcete a decretar a prisão temporária, por cinco dias, de nove investigados na Operação Lama Asfáltica. Todos eram protagonistas da gestão do PMDB e ligados a secretaria de Obras do Estado.

Foram detidos o ex-deputado federal Edson Giroto (PR), João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Átila Garcia Gomes Tiago de Souza, , Elza Cristina Araújo dos Santos,  Maria Wilma Casanova Rosa, Maxwell Thomé Gomez, Rômulo Tadeu Menossi, Wilson Cabral Tavares e Wilson Roberto Mariano de Oliveira. Além do MPE, trabalham na investigação a Polícia Federal e CGU.