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Policial

Produtor de Sidrolândia é levado pela PF em condução coercitiva por suspeita de envolvimento com o tráfico

A informação sobre a condução de Algacir só agora veio a público, depois da divulgação de todo o teor da decisão do juiz Odilon de Oliveira.

Flávio Paes/Região News

31 de Março de 2017 - 14:21

Como parte da Operação All In, na madrugada da última terça-feira equipe da Polícia Federal esteve em Sidrolândia, quando apreendeu uma caminhonete Hillux de placa NSA- 2278 e levou em condução coercitiva para depoimento em Campo Grande, o produtor rural Algacir Batista de Abreu. Ele seria suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas, integrando uma organização criminosa comandada pelo piloto Gerson Palermo, apontado como um dos barões do tráfico internacional de cocaína.

A informação sobre a condução de Algacir só agora veio a público, depois da divulgação de todo o teor da decisão do juiz Odilon de Oliveira, que decretou uma série de prisões, além do sequestro de R$ 7,5 milhões em bens dos acusados de participação no tráfico. O produtor foi colocado em liberdade após prestar depoimento.

Algacir é proprietário de um complexo de armazenagem às margens da BR-060, na saída para Campo Grande e de fazendas como uma localizada quase na divisa com a Capital, vizinha à Fazenda Piana. Além dele, foram conduzidos coercitivamente Silvana Melo Santos, Moacir Sebastião Freitas, Ivanildo Rosa Novais, Guiliana Pereira Palermo e Célio Barbosa de Fonseca.

Estão com a prisão preventiva decretada Gerson Palermo, Osvaldo Inácio Barbosa, Luiz Carlos Fernando de Carvalho, Lucas Donizetti Bueno Camargo, Caio Luiz Carloni, Sebastião Nunes Siqueira, Milton Motta Junior, Nabih Roberto Awada, Ezio Guimarães dos Santos, Celso Luiz Lopes e João Leandro Siqueira. Tiveram a prisões temporárias determinadas, Danilo Peres Rodrigues, Hugo Leandro Tognini, Eduardo Peres da Silva, Antonio Feitosa Neto e Jurandir Rosa Novais.

Operação

A apreensão de 500 kg de cocaína pura, sem batismo, na região do porto de Santos (litoral de SP) em abril de 2016 foi o ponto que culminou no início das investigações da Operação All In da Polícia Federal, responsável por desmantelar uma quadrilha milionária de tráfico internacional de drogas, nesta terça-feira (28), em Mato Grosso do Sul.

Segundo o delegado Cléo Mazzotti, o esquema da quadrilha não abastecia diretamente os consumidores, mas sim revendedores da droga. Elas chegavam da Bolívia no aeródromo clandestino estourado nesta manhã pelos agentes em Corumbá, através dos seis aviões apreendidos.

Só depois seguiriam para outros estados, quase sempre São Paulo, por transporte terrestre. Em um desses transportes, outros 300 kg de cocaína foram apreendidos em setembro do ano passado.

Segundo a investigação federal, cidades do Paraná, como Londrina, Campina da Lagoa e Ibiporã, também eram usadas como apoio na distribuição da droga. Aviões também foram apreendidos pelos agentes nestas cidades.

Para Mazzotti, os R$ 7,5 milhões de patrimônio apreendidos mostram que o bando faturava alto com a operação. “A cocaína era de qualidade alta, coisa fina, e eles cobravam caro por não diluíam”, disse.

Além dos bens, os acusados levavam um estilo de vida luxuoso, com viagens constantes, carros caros, casas chamativas e bens de consumo de última geração.

Líder do grupo

Gerson Palermo, apontado como chefe da organização, é um velho conhecido das páginas policiais: já foi detido por planejar e executar o sequestro de um avião que fazia a rota Foz do Iguaçu (PR) e São Luís (MA), em 2000, e liderou o PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul.

Piloto de avião, ele acumula passagens pela polícia desde 1991, quando foi preso em Campinas (SP) transportando drogas. A chamada Operação Mingau, que apreendeu 500 quilos de cocaína e 200 tonéis de substâncias químicas usadas na fabricação de drogas, apreendeu na ocasião carros, caminhões, casas e fazendas do acusado, além de lhe deixar sete anos preso.

Em 16 de agosto de 2000, no entanto, Palermo alcançou o topo do crime organizado ao liderar o sequestro de um Boeing-737-200 da Vasp, que fazia a rota Foz do Iguaçu a São Luís.

Com 61 passageiros e seis tripulantes, o voo foi desviado na ocasião por oito homens armados para uma pista de pouso em Porecatu, no interior do Paraná, a cerca de 70 km de Londrina (PR).

Os sequestradores levaram na ocasião R$ 5 milhões que estavam no compartimento de cargas do avião. Depois de abandonada pelos ladrões, a aeronave, que faria ainda paradas em Curitiba, Rio, Brasília e São Luís (MA), acabou pousando em Londrina.

A prisão de Palermo aconteceu 14 dias depois, em Campo Grande, onde cumpria o restante da pena domiciliar pela primeira detenção.