Policial
Professor envenenado na Argentina diz que pensa em abandonar a profissão
O professor conta que, nesta segunda-feira, seguiu seu ritual diário, e comprou uma garrafa dágua antes de chegar à escola
O globo
02 de Dezembro de 2014 - 10:37
Após ser envenenado por uma de suas alunas, em Villa Ballester, ao Norte de Buenos Aires, o professor Miguel Ángel Porro diz estar bem clinicamente, mas mal emocionalmente, e afirmou que considera a possibilidade de abandonar a profissão.
Não tenho qualquer animosidade em relação à aluna, que vem de um lar destruído, está num momento muito turbulento, e teve uma conduta que não corresponde a sua idade.
O professor conta que, nesta segunda-feira, seguiu seu ritual diário, e comprou uma garrafa dágua antes de chegar à escola.
Deixei a garrafa no escritório, e antes do fim da aula, um grupo de alunos chegou, em busca de um livro. Saí da sala para chamar a atenção de estudantes, em horário livre, que tumultuavam os corredores, conta o professor, que é diabético. Tomei mais um gole da garrafa para ingerir uma pastilha médica, e uma das alunas me disse que havia colocado veneno contra ratos na água. Olhei a garrafa, e ele estava esbranquiçada com pequenas pintas como se fossem de óleo.
Porro conta que rapidamente sentiu a boca e a garganta inchadas como se estivesse tendo uma reação alérgica, e foi levado à terapia intensiva, onde recebeu injeções anticoagulantes.
Depois descobri que a estudante, que não é uma boa aluna, queria sair da escola, contou o professor, que deve se reunir com a direção da escola nesta semana, e que diz não ter vontade de voltar. Estou pensando seriamente em abandonar a profissão, porque sinto como se estivesse pregando no deserto.
Porro, professor de Construção da Cidadania, ressaltou que sua matéria busca exatamente fazer com que as crianças compreendam o respeito pelo outro, os direitos humanos e as normas jurídicas e sociais, além de formá-las como cidadãos.
Por fim, o professor pediu um questionamento sobre o momento do sistema educacional na Argentina, o papel dos professores e uma maneira para solucionar este cenário.




