Policial
Sob investigação, quarto onde Mayara morreu é interditado pelo motel
O Campo Grande News tentou contato com a ABMoteis (Associação Brasileira de Moteis) tanto com a sucursal estadual quanto com a matriz brasileira
Campo Grande News
31 de Julho de 2017 - 13:00
O quarto do motel Gruta do Amor onde a musicista Mayara Amaral, 27 anos, foi morta a marteladas no último dia 24 segue interditado pela gerência do local devido às investigações da Polícia Civil sobre até que ponto o comércio pode ser responsabilizado sobre o ocorrido. A hipótese, levantada na reunião entre a cúpula do órgão na manhã desta segunda-feira (31), não foi descartada.
A informação de que o quarto
segue interditado foi confirmada por funcionários do motel ouvidos sob sigilo
pelo Campo Grande News durante a manhã. Sem autorização da gerência,
muitos aceitam contar detalhes do que sabem somente sob anonimato. E com muito
medo.
Ninguém quer lembrar o que aconteceu. Foi tudo muito triste. Vem sendo difícil
para nós lidar com o fato sem que alguém aponte o dedo, completou uma jovem.
Segundo o relato dos acusados pelo crime, incluindo o do mentor, o também
músico Luis Alberto Bastos Barbosa, 29, eles deixaram o estabelecimento na
região do Bairro São Francisco (zona norte da Capital) com o corpo de Mayara no
porta malas do Gol branco dela roubado, modelo dos anos 1990.
No auto da prisão de Barbosa e os comparsas encaminhado à Justiça, uma
representante do motel disse que encontrou o documento de identidade da vítima
no quarto, que estava completamente ensanguentado. A funcionária diz que pensou
ser um aborto quando viu.
O cenário que encontramos era o pior possível, muita sujeira e sangue. Nem se
pensa em uma hora dessas que alguém morreu, disse outro funcionário.
Podia ser qualquer coisa, podia ter acontecido de tudo lá dentro. A
funcionária do dia ficou em choque quando viu e pior ainda quando descobriu
tudo. Disseram aqui que eles foram educados ao entrar e que não foram embora
apressados, apontou outro empregado.
Considerando a imagem do local afetada pelo ocorrido, todos os funcionários
garantem que cumprem as determinações prévias de segurança, como pedir
documentação na entrada e saída, fazer a checagem do quarto na imediata saída
do cliente e comunicar as autoridades de imediato caso ocorra algo. Ressaltam
que no dia não foram ouvidos gritos, o que não levantou suspeita.
Os funcionários também
comentam a informação de que o motel ligou para a família chegando a cobrar
pela conta do dia, que não teria sido paga.
Na reunião desta segunda, policiais civis não falaram abertamente, mas garantem
nos bastidores que investigarão a conduta do motel, no mesmo inquérito. Não
estão descartadas operações especiais com outras delegacias especializadas como
uma ocorrida em maio de 2015, onde cinco de oito estabelecimentos do tipo
vistoriados apresentaram irregularidades.
O Campo Grande News tentou contato com a ABMoteis (Associação
Brasileira de Moteis) tanto com a sucursal estadual quanto com a matriz
brasileira, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem.




