Policial
Veterinária que ateou fogo em marido em Campo Grande é indiciada pelo crime de tortura
O servidor público teve 30% do corpo queimado e chegou a ser internado na UTI.
Midiamax
02 de Julho de 2026 - 10:12

A médica-veterinária, de 42 anos, que ateou fogo no marido, servidor público federal de 41 anos, foi indiciada pelo crime de tortura. A Polícia Civil concluiu o inquérito e despachou o indiciamento na quarta-feira (1º).
O crime aconteceu no dia 22 de junho, no bairro Santa Luzia, após uma briga do casal. Os filhos, de 9 e 22 anos, presenciaram o crime. O servidor público teve 30% do corpo queimado e chegou a ser internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Conforme informações, o quadro clínico da vítima estava evoluindo de forma positiva.
Depoimento
Durante audiência de custódia, a mulher afirmou que ateou fogo para que o homem contasse a verdade. Detalhou que o casal havia discutido anteriormente e cochilou. Pela manhã, o marido teria tentado conversar novamente sobre o assunto.
“Nós estávamos discutindo sobre a possibilidade de um relacionamento dele lá em Brasília, e ele estava negando. Eu queria que ele me dissesse a verdade. Foi só por isso, e nós retomamos a discussão justamente nesse ponto”, explicou.
Segundo a suspeita, durante a discussão, ela pegou um vidro de álcool de limpeza que estava na cozinha e jogou parte do líquido na mochila do servidor. Entretanto, ela nega que tenha ateado fogo no corpo da vítima.
“Eu não joguei o fogo nele. Eu joguei parte do vidro de álcool na mochila, porque era a mochila com os pertences dele que eu queria queimar. Foi só na mochila, e eu acho que, no momento em que eu fiz esse movimento, a roupa dele pode ter encharcado de álcool”, afirmou a médica-veterinária.
Veterinária queria assustar marido
Em seguida, o servidor correu para a garagem, momento em que a esposa correu atrás dele com uma carteira de cigarro e um isqueiro dentro de um casaco. Ela alegou que queria assustar o marido com o barulho do isqueiro.
“Eu estava com a carteira de cigarro e o isqueiro dentro do casaco. Nesse momento da discussão, eu quis assustá-lo com o barulho do isqueiro, e ele não acendeu. E eu achei que não tinha acontecido nada; foi só depois que eu vi a camiseta dele mudando um pouco de cor. Foi então que tentei rasgar a camiseta dele para tirá-la”, explicou a veterinária.
Na ocasião, o casal caiu ao chão e tentou se livrar do fogo. Em determinado momento, o servidor público federal conseguiu retirar a camiseta. A filha do casal chegou e, possivelmente, ligou a mangueira para jogar água.
‘Claro que eu me arrependo’
Após o ocorrido, a médica-veterinária disse que pegou o carro e levou o marido para um hospital particular. Como o servidor precisou ser transferido para o Proncor, ela falou que pagou uma ambulância particular para transportá-lo.
Questionada sobre arrependimento, a suspeita afirma que está arrependida e alega que pensou que esse seria o único jeito de o marido falar a verdade. Ela alegou que a intenção era apenas assustá-lo.
“É claro que eu me arrependo. Eu não queria ter feito isso, não era a minha intenção machucá-lo. Não era a minha intenção. Eu posso ter errado no sentido de ter usado esses métodos para colher a verdade dele, que eu achei que era o único jeito dele falar a verdade. Se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e falar. E abrir o jogo, sabe? Mas não era a minha intenção machucar. Sabe? Botar fogo nele não foi. É claro que eu me arrependo. Eu dava tudo pra voltar. Eu não pensei em machucá-lo. Foi só para assustar”, declarou.
A médica-veterinária disse que sofre de depressão e TAG (transtorno de ansiedade generalizada), mas está sem tomar seus medicamentos há cerca de 15 a 20 dias.




