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Política

Ataques de tucanos a Dilma indicam distanciamento entre Reinaldo e Delcídio

Os últimos ataques de deputados estaduais tucanos ao governo da presidente Dilma indicam o distanciamento entre os dois grupos políticos.

Willams Araújo

10 de Agosto de 2013 - 08:35

O sonhado projeto político envolvendo o senador Delcídio do Amaral (PT) e o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) na composição da chapa majoritária para o governo do Estado e para o Senado dá sinais de que não deva prosperar. Os últimos ataques de deputados estaduais tucanos ao governo da presidente Dilma indicam o distanciamento entre os dois grupos políticos.

Na Assembleia Legislativa, as críticas à petista têm sido uma constante, mesmo com toda cautela de Reinaldo Azambuja, que evita radicalizar, apesar de suas convicções políticas. Líder da bancada do PSDB na Casa, o deputado estadual Professor Rinaldo apimentou ainda mais o relacionamento ao criticar, por meio da assessoria do partido, o governo petista.

“Isso é prova inequívoca de que o governo Dilma está fora de linha, não tem sintonia entre o que fala e o que faz”, disparou o tucano, referindo-se a informações segundo as quais o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) teria desmentido a presidente um dia após ela anunciar obras em visita a Minas Gerais.

De acordo com deputado, o governo do Estado de Minas também trouxe outra versão para parceria comunicada pela petista. Dilma anunciou em Varginha na quarta-feira (7) o início da obra de duplicação da BR-381 e a revitalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Quanto à primeira obra, a presidente previa o início das obras para dezembro.

Na quinta, a assessoria do DNIT negou a informação. Conforme divulgou o jornal O Tempo, o órgão informou que a licitação não foi sequer concluída. O DNIT informou que os técnicos estão analisando as propostas, entretanto, não há data para a fase ser concluída, já que os servidores do órgão estão em greve desde 25 de junho.

Quanto à revitalização do Anel Rodoviário, a presidente anunciou que parte das obras ficaria a cargo do governo do Estado de Minas, que afirmou, por meio de nota, não ter recebido a incumbência.

Rinaldo avalia que “a presidente anuncia obras para passar à população a ideia de que está fazendo algo, mas na verdade apenas cria falsas expectativas”. Apesar de adotar a mesma cautela de Azambuja, o presidente regional do PSDB, deputado estadual Márcio Monteiro, defende a chapa majoritária encabeçada pelo seu partido.

UNIÃO

Delcídio e Reinaldo Azambuja deram início a um alinhamento político durante o segundo turno das eleições para prefeito de Campo Grande, em 2012, quando se uniram para apoiar a campanha vitoriosa de Alcides Bernal (PP), acabando assim com uma hegemonia de mais de duas décadas do PMDB.

Candidato tucano a prefeitura, Reinaldo Azambuja recebeu expressiva votação e por pouco não tira o candidato do PMDB, deputado federal Edson Giroto, hoje secretário de Estado de Obras Públicas, do segundo turno da disputa.

Meses após, eles se juntaram novamente, desta vez para derrotar o candidato do PMDB, prefeito de Costa Rica, Waldeli dos Santos Rosa, na disputa pela presidência da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul).

A união resultou na eleição dos prefeitos de Anastácio, Douglas Figueiredo (PSDB), e de Mundo Novo, Humberto Amaducci (PT), como presidente e vice da entidade. A ideia de uma possível aliança seria impor mais uma vez derrota ao PMDB, liderado pelo governador André Puccinelli, embora o partido está dividido entre apoiar o ex-prefeito da Capital, Nelsinho Trad, e a vice-governadora Simone Tebet.

A eventual aliança entre petistas e tucanos teve repercussão na imprensa nacional. Em meados de junho deste ano, a Revista Época publicou nota enfocando a sucessão estadual em Mato Grosso do Sul. “PT e PSDB estão cada vez mais próximos no MS”, destacou a publicação, dizendo que o senador e o deputado pretendem caminhar juntos nas eleições de Mato Grosso do Sul.

Segundo a revista, “o petista levou o assunto à presidente Dilma Rousseff, que não impediu a aliança; e o tucano conversou com o presidente do PSDB, Aécio Neves, que pediu um tempo para pensar”. A nota destacou ainda, à época, que o maior obstáculo para a inusitada parceria está em São Paulo, onde os diretórios paulistas dos dois partidos rejeitam com veemência a dobradinha.