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Política

Cassação: Defesa de Marcelo Barros é rejeitada

Dourados Agora

11 de Janeiro de 2011 - 07:37

O vereador afastado Marcelo Barros é o primeiro a ter a defesa rejeitada pela Comissão Processante que pode cassá-lo por quebra de decoro parlamentar. Outros sete vereadores são alvos de investigação na Câmara. Todos foram presos durante Operação Uragano da Polícia Federal, acusados de envolvimento em esquema de propina, supostamente chefiado pelo Executivo e que desviava dinheiro público.

Após procurar a Câmara para receber pessoalmente e notificação de que estava sendo processado, Marcelo Barros entregou a defesa poucos dias depois: no último dia 6. De acordo com o vereador Walter Hora, os argumentos apresentados na defesa de Marcelo Barros não foram suficientes para que a CP arquivasse o processo, conforme o pedido do investigado. Walter é o presidente da Comissão criada através de denúncias dos cidadãos Ronaldo Ferreira, Pedro Lima e José Carlos Brumatti.

Apesar da decisão ainda não ter sido oficializada, é certa a rejeição do pedido de arquivamento. A partir de agora, a Comissão prossegue com os trabalhos investigativos através de oitivas com testemunhas e análise de provas produzidas pela defesa do vereador afastado.

Ao Douradosagora, Marcelo Barros disse que alegou na defesa que nunca teve participação nos supostos “esquemas” do Executivo. Prova disso, segundo ele, são os mais de 15 contratos da prefeitura que teria conseguido anular devido a irregularidades existentes. “Eu nunca recebi dinheiro de propina e nem terceiros ligados a mim. Não há gravação que prove isso. Além disso, a pessoa que disse ter pego o dinheiro por mim já foi a Polícia Federal e negou tudo. Tanto isso é verdade que a Justiça não bloqueou os meus bens por entender que o pagamento de propina nunca existiu. Tudo está começando a vir a tona”, destaca.

Quanto a acusação do Ministério Público de que Marcelo teria “abrandado” os pronunciamentos “calorosos” contra o então prefeito Ari Artuzi, por ter recebido dinheiro, ele afirma que já levou ao conhecimento da Câmara e da Justiça seu último discurso. “Eu pedi a cassação de Artuzi, devido a uma licitação irregular avaliada em R$ 33 milhões da saúde pública. Não houve nenhum abrandamento por minha parte, pelo contrário”, argumenta. Marcelo disse que está sendo vítima de uma armação. “Apesar disso, acredito no bom senso dos vereadores que estão a frente das Comissões processantes. Eles vão agir com justiça e tudo será comprovado”, destacou.

MAIS CP

Uma outra comissão que tem como base as mesmas denúncias mas foi aprovada atendendo um pedido do PPS, fará análise da defesa de Marcelo Barros. Ela tem como presidente o vereador Elias Ishy. Segundo ele, o documento ainda está sendo analisado. Hoje haverá uma reunião com o advogado de Marcelo Barros, para dar continuidade aos trabalhos.

De acordo com o procurador da Câmara, Alexandre Magno, as duas comissões para cada um dos vereadores seguirão de forma independente. “Uma não terá relação com outra. Se uma decidir arquivar o processo e a outra não, os trabalhos da que decidiu prosseguir continuam normalmente”, explica.

Até a manhã desta segunda-feira, os outros sete vereadores notificados ainda não havia encaminhado defesa às Comissões. O prazo vence na próxima semana. Dos oito vereadores, apenas seis receberam as notificações pessoalmente. Tio Júlio Artuzi e Marcelo Hall foram notificados por publicação em Diário Oficial. As comissões apuram denúncias contra: Aurélio Bonatto (PDT), Claudio Marcelo Hall, o Marcelão (PR), Humberto Teixeira Junior (PDT), José Carlos Cimatti (PSB), Zezinho da Farmácia, Júlio Artuzi (PRB), Marcelo Barros (DEM) e Paulo Henrique Bambu (DEM).