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Política

Delcídio desconfia de resultado de pesquisa que aponta queda de Dilma

Neste mês, Dilma perdeu sempre mais de 20 pontos em todas regiões do país e em todos os recortes de idade, renda e escolaridade.

Willams Araújo

01 de Julho de 2013 - 17:00

O senador Delcídio do Amaral (PT) desconsiderou o resultado da última pesquisa divulgada no fim de semana pelo instituto Datafolha, que aponta queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff.

“Os dias atuais que o Brasil vive tornam voláteis quaisquer resultados de pesquisas. O clima é de vaca estranhar bezerro!!!”, postou o senador em seu Facebook, referindo-se ao levantamento estatístico feito pelo instituto no momento de turbulência em que o País vive no momento por conta de uma série de manifestações populares.

Pré-candidato do PT ao governo de Mato Grosso do Sul, Delcídio não concorda com os números divulgados pelo instituto, que mostra que a popularidade da presidente caiu 27% em três semanas após a onda de protestos que pipocou em todos  as regiões do País.

Em pré-campanha pelos municípios do Estado, o senador trabalha forte na tentativa de suceder  o governador André Puccinelli (PMDB) em 2015. Se o cenário político não mudar daqui até junho do ano que vem, data na qual os partidos políticos terão de homologar suas candidaturas aos cargos majoritários e proporcionais, Delcídio deve enfrentar o candidato do PMDB ao governo do Estado – o ex-prefeito Nelsinho Trad ou a vice-governadora Simone Tebet.

Apesar de se articular no sentido de garantir o apoio do PSDB, o senador corre o risco de enfrentar outro forte candidato pelo fato de o deputado federal Reinaldo Azambuja está sendo aconselhado pelo comando nacional tucano a entrar na disputa.

De olho na construção de um palanque forte visando às eleições de 2014, o petista já conta inclusive com apoio declarado de vários deputados estaduais e federais, tanto do PT como de partidos aliados e até adversários.

Integrante da base aliada da presidente Dilma no Congresso Nacional e visto hoje como favorito, o senador espera que os números das pesquisas no futuro sejam favoráveis ao seu grupo político, até porque ele não deseja obter outro resultado malsucedido em sua luta pelo governo do Estado, a exemplo das eleições de 2006 quando foi derrotado nas urnas para André Puccinelli.

COMPARATIVO

De acordo com pesquisa Datafolha, divulgada no fim de semana pelo jornal Folha de S. Paulo, hoje, 30% dos brasileiros consideram a gestão Dilma boa ou ótima. Na primeira semana de junho, antes da onda de protestos que irradiou pelo país, a aprovação era de 57%. Em março, seu melhor momento, o índice era mais que o dobro do atual, 65%.

A queda de Dilma, segundo o instituto, é a maior redução de aprovação de um presidente entre uma pesquisa e outra desde o plano econômico do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, quando a poupança dos brasileiros foi confiscada.

Naquela ocasião, entre março, imediatamente antes da posse, e junho, a queda foi de 35 pontos (71% para 36%). Em relação a pesquisa anterior, o total de brasileiros que julga a gestão Dilma como ruim ou péssima foi de 9% para 25%. Numa escala de 0 a 10, a nota média da presidente caiu de 7,1 para 5,8.

Neste mês, Dilma perdeu sempre mais de 20 pontos em todas regiões do país e em todos os recortes de idade, renda e escolaridade. O Datafolha perguntou sobre o desempenho de Dilma frente aos protestos. Para 32%, sua postura foi ótima ou boa; 38% julgaram como regular; outros 26% avaliaram como ruim ou péssima.

Após o início das manifestações, Dilma fez um pronunciamento em cadeia de TV e propôs um pacto aos governantes, que inclui um plebiscito para a reforma política. A pesquisa mostra apoio à ideia. A deterioração das expectativas em relação a economia também ajuda a explicar a queda da aprovação da presidente. A avaliação positiva da gestão econômica caiu de 49% para 27%.

A expectativa de que a inflação vai aumentar continua em alta. Foi de 51% para 54%. Para 44% o desemprego vai crescer, ante 36% na pesquisa anterior. E para 38%, o poder de compra do salário vai cair --antes eram 27%.

Os atuais 30% de aprovação de Dilma coincidem, dentro da margem de erro, com o pior índice do ex-presidente Lula. Em dezembro de 2005, ano do escândalo do mensalão, ele tinha 28%. Com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a pior fase foi em setembro de 1999, com 13%. Em dois dias, o Datafolha ouviu 4.717 pessoas em 196 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.