Política
Relator amplia acesso à regra de transição da reforma da Previdência e reduz pedágio
Deputado Arthur Maia se reuniu com Temer no Planalto. Pela nova proposta, qualquer trabalhador poderá optar por entrar na regra de transição caso se aposente mais cedo, recebe menos.
G1
11 de Abril de 2017 - 13:36
O relator da reforma na Previdência Social, deputado Arthur Maia (PPS-BA), afirmou nesta terça-feira (11) que vai propor mudanças na chamada regra de transição para a aposentadoria. O anúncio foi feito após reunião no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer, ministros, líderes partidários e outros membros da comissão especial da Câmara que trata do assunto.
A proposta original do governo previa que somente homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos teriam acesso à regra de transição o que, na prática, permite a aposentadoria antes dos 65 anos.
De acordo com Arthur Maia, agora qualquer trabalhador, de qualquer idade, poderá optar por entrar na regra de transição. Segundo a nova proposta, esse trabalhador poderá se aposentar mais cedo e, neste caso, receberá menos.
Para calcular a idade a partir do qual o trabalhador poderá se aposentar na regra de transição, será aplicada uma fórmula considerando o seu tempo de contribuição e também o "pedágio" tempo a mais que será acrescido (menor do que o formato atual de 50%). Esse cálculo ainda não foi detalhado.
Mesmo com essa fórmula, o relator explicou que também serão fixadas idades mínimas, abaixo de 65 anos, para a aposentadoria daqueles que optarem pela regra de transição. Essas idades mínimas serão diferentes para homens e mulheres abaixo delas não será possível ter acesso à aposentadoria.
O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS), citou como exemplo que essa idade mínima, na regra de transição, poderia ser de 53 anos para mulheres e de 57 anos para homens.
'Pedágio'
Arthur Maia anunciou ainda que reduzirá o chamado "pedágio" que deve ser pago por quem aderir à regra de transição, mas não informou qual será o novo percentual.
Na proposta original, esse pedágio era de 50% sobre o tempo de contribuição que ainda falta para o trabalhador requerer a aposentadoria. Por exemplo: um trabalhador, que se encaixava na regra de transição e que precisaria ainda contribuir por 10 anos, teria, portanto, que contribuir por 15 (corresponde a 10 mais 50% do "pedágio") para ter direito ao benefício.
Negociações no Congresso
Segundo Arthur Maia, após o anúncio dessas alterações na proposta inicial do governo para a reforma da Previdência, a receptividade dos parlamentares aumentou. "Vamos organizar uma votação que possa proporcionar aprovação da PEC no plenário."
A expectativa do presidente da comissão especial, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), é que o relatório de Arthur Maia seja discutido e aprovado até o fim do mês na comissão.
Considerando a previsão de esvaziamento da Câmara na semana do feriado de Tiradentes, a intenção é levar o tema para discussão no dia 25 de abril e aprovar o relatório até o dia 28.
Mais cedo, o presidente Michel Temer afirmou que busca a aprovação da reforma por meio do diálogo e que acredita no convencimento dos parlamentares, porque a mudança no sistema previdenciário é uma necessidade.
Rombo bilionário
A reforma da Previdência foi enviada ao Congresso Nacional em dezembro para tentar conter o rombo bilionário do sistema previdenciário.
Só no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o saldo negativo entre receitas e despesas chegou perto de R$ 150 bilhões em 2016 e deve passar dos R$ 180 bilhões em 2017.




