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Saúde

Com estoque para um mês, banco de leite humano precisa de doações contínuas

O volume considerado ‘razoável’ pela gestão do setor, deve ser suficiente para abastecer a unidade por um mês.

Dourados News

13 de Março de 2026 - 14:10

Com estoque para um mês, banco de leite humano precisa de doações contínuas
Leite doado passa por processo de pasteurização para armazenagem - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News

O BLH (Banco de Leite Humano) do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) tem atualmente 100 litros em estoque. O volume considerado ‘razoável’ pela gestão do setor, deve ser suficiente para abastecer a unidade por um mês. No entanto, como se trata de uma demanda bastante volátil, o ideal seria ter 150 litros disponíveis sempre, média que só é possível alcançar se houver doação constante.

Atualmente, o banco consegue atender 100% dos bebês da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal com leite materno, seja da própria mãe ou doado por outra e pasteurizado. Já no caso da UCI (Unidade de Cuidados Intermediários), isso depende dos estoques e, por vezes, é necessário ministrar fórmula.

Nesta quarta-feira, dia 12, eram 29 crianças internadas nas duas unidades. A quantidade de leite necessária para atender as que dependem do banco, variam não só de acordo com o número de pacientes, mas também de quantos mililitros foram prescritos por médicos a cada recém-nascido, conforme o tratamento. A alimentação ocorre geralmente de três em três horas.

“A gente está com um fluxo relativamente bom de doações. Porém, precisa ser uma contínua, então a gente sempre precisa renovar o estoque, fazer campanha o ano todo”, explica Neiva Ney Gomes Barreto, enfermeira do Banco de Leite do HU-UFGD, lembrando que o equilíbrio do estoque tem sido mantido tanto por doadoras externas, como por mães que estão no hospital.

Com estoque para um mês, banco de leite humano precisa de doações contínuas
Neiva Ney Gomes Barreto, enfermeira do Banco de Leite do HU-UFGD - Foto: Clara Medeiros / Dourados News

“Eu tenho uma mãe de gêmeos, mas as bebês dela mamam pouco porque são prematuras extremas, aí ela consegue tirar bastante leite, ela senta e tira 400 ml, que é bastante. As bebês dela tomam ao longo do dia e o restante ela acaba doando para outros bebês. Hoje temos entre duas a três mães que conseguem tirar mais leite do que os bebês delas precisam e isso ajuda muito a melhorar nossos estoques, isso sem contar as mães externas que estão sempre doando”, complementa Neiva.

O banco busca na casa das doadoras externas o leite coletado. Em Dourados, geralmente, a visita ocorre uma vez por semana ou até duas vezes dependendo a oferta e a necessidade dos estoques. Além disso, o HU-UFGD envia uma equipe a cada 15 dias para fazer captações em Caarapó, Itaporã e Fátima do Sul.

Para ser uma doadora externa, mais do que ter leite excedente, é importante compreender que se trata de um ato solidário que exige uma dedicação contínua. As que desejam contribuir recebem uma equipe especializada na residência, que orienta sobre os procedimentos de higiene, técnicas de extração e armazenamento, seguindo normas sanitárias.

Neiva lembra, no entanto, que cada mãe tem um período em que faz suas contribuições, ainda que seja algo que não poderão fazer para sempre e não só porque em determinado momento param de amamentar.

Existem também fatores sociais, como a rotina modificada com chegada do bebê; conciliar a maternidade com as tarefas da casa; necessidade de armazenar mais quantidades de leite para deixar para o filho devido à volta ao trabalho, entre outros que impactam no tempo em que permanecem doando.

Apesar dos desafios, é cada vez maior o número de mulheres que colaboram. Somente no ano passado, o banco arrecadou 1,5 mil litros de leite a partir de 1,7 mil doadoras. Dessas, 965 eram externas, sendo número 12% maior do que no ano anterior. Ao todo, foram 810 bebês beneficiados com o leite de voluntárias.

Maria Clara Farinha Nunes, de 21 anos, é paraguaia e mora em Paranhos. O bebê dela nasceu com 27 semanas e um dia no HU-UFGD, ou seja, com cerca de seis meses. Considerado um prematuro extremo, ele permanece na unidade e durante um mês precisou de leite doado. “É muito bom ter alguém doando porque graças a elas, ele está ganhando peso todos os dias”, diz a mãe, que também faz a coleta para o filho no banco.

Com estoque para um mês, banco de leite humano precisa de doações contínuas
Maria Clara Farinha Nunes é moradora de Paranhos e está com o filho internado no HU-UFGD. - Foto: Clara Medeiros / Dourados News

O HU-UFGD ainda oferece acompanhamento às mães que apresentam dificuldades para amamentar, com equipe multiprofissional formada por médico, enfermeira, nutricionista, farmacêutica e técnicos de enfermagem. Esse serviço é estendido às mulheres da comunidade, independente de qual hospital tiveram seus filhos.

Para ter acesso é preciso agendar com antecedência pelo telefone (67) 3410-3002 ou (67) 9 9102-4146 (somente WhatsApp), das 8h às 16h, de segunda a sexta-feira.