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Saúde

Morte de criança de 9 anos após 7 atendimentos gera cobrança por respostas na saúde pública

Capital News

23 de Maio de 2026 - 08:15

Morte de criança de 9 anos após 7 atendimentos gera cobrança por respostas na saúde pública
Valdemar Moraes relatando sobre problemas da saúde de Campo Grande. Foto: Izaias Medeiros

A Câmara Municipal de Campo Grande recebeu, durante a sessão ordinária da última desta terça-feira (19), relatos sobre suposta negligência médica e falhas na regulação da saúde pública. O caso envolve uma criança de 9 anos que faleceu após passar por sete atendimentos médicos entre os dias 2 e 7 de abril.

Os relatos foram apresentados pelo presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Campo Grande, Valdemar Moraes de Souza, que utilizou a Tribuna Participativa para apresentar documentos sobre o caso de João Guilherme, de 9 anos. Segundo ele, a criança chegou à Santa Casa com um tubo mal fixado, colocado em atendimento anterior.

Ainda conforme o relato, o Samu encontrou o menino em parada cardiorrespiratória e, apesar das tentativas de reanimação, a criança não resistiu.

O representante da associação afirmou que o caso evidencia problemas estruturais da saúde pública municipal, como superlotação das unidades, falta de profissionais, demora na liberação de leitos hospitalares e ausência de medicamentos e insumos.

“A morte do João Guilherme não pode ser apenas um número. Precisa ser um grito de alerta para o que acontece na nossa saúde pública. As UPAs viraram enfermarias, com pacientes aguardando até 48 horas por um leito hospitalar”, afirmou.

Valdemar também destacou que a situação enfrentada pela família da criança se repete diariamente com outras famílias que dependem do SUS.

“Há falta de remédios e de insumos. Famílias deixam as unidades de saúde sem medicamentos. João Guilherme foi vítima dessa estrutura precária”, completou.

O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, manifestou solidariedade à família e destacou o papel do Legislativo no debate das demandas da população.

“A Câmara é a sede do debate. Estamos consternados e solidários com a dor que a família enfrenta. Alguém precisa ser responsabilizado pelo que aconteceu com essa criança”, declarou.

Autor do convite para a participação de Valdemar na sessão, o vereador Junior Coringa afirmou que a Tribuna Participativa abriu espaço para que a população pudesse relatar as dificuldades enfrentadas no sistema público de saúde.

“Hoje a Casa ouve o relato de uma mãe que perdeu o filho de 9 anos por falta de assistência em saúde. A Associação traz o anseio de todas as pessoas que utilizam o SUS”, afirmou o parlamentar.