SIDROLÂNDIA- MS
Em 14 anos, PIB cresceu 327%, mas população de baixa renda aumentou 73% em Sidrolândia
No mesmo período, porém, a população de baixa renda inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) aumentou 73%, revelando um contraste entre a expansão econômica e a realidade social do município.
Redação/Região News
31 de Maio de 2026 - 15:54

O Produto Interno Bruto (PIB) de Sidrolândia cresceu 326,7% nos últimos 14 anos, impulsionado pelo avanço do agronegócio, da agroindústria e pela chegada de grandes investimentos. No mesmo período, porém, a população de baixa renda inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) aumentou 73%, revelando um contraste entre a expansão econômica e a realidade social do município.
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Em 2012, Sidrolândia possuía 44.940 habitantes e 16.532 pessoas cadastradas no CadÚnico, o equivalente a 36,7% da população. Em 2026, esse número saltou para 28.596 pessoas, o que representa 57,5% dos 49.736 moradores estimados.
Na prática, mais da metade da população está hoje inserida no principal banco de dados de famílias de baixa renda do Governo Federal. O CadÚnico reúne 11.985 famílias e revela um retrato diverso da vulnerabilidade social no município.
Entre os cadastrados estão 2.915 famílias assentadas da reforma agrária, 968 indígenas e 307 famílias acampadas.''
O sistema também registra 211 famílias vivendo em áreas classificadas como favelas ou ocupações precárias, que somam cerca de 535 pessoas, concentradas principalmente na antiga Esplanada Ferroviária e no bairro Jatobá. Além disso, há 30 pessoas em situação de rua, das quais 22 recebem Bolsa Família.
Economia cresce, mas desigualdade persiste
No mesmo período, a economia de Sidrolândia registrou forte expansão. O PIB passou de R$ 961,4 milhões em 2012 para R$ 4,1 bilhões em 2025, fazendo o município subir da 10ª para a 6ª maior economia de Mato Grosso do Sul.
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O crescimento foi puxado pelo agronegócio, pela agroindústria e por grandes empreendimentos industriais, mas os indicadores sociais mostram que a expansão econômica não se refletiu de forma proporcional na redução da vulnerabilidade social.
Dos 11.985 famílias cadastradas no CadÚnico, 3.194 vivem em extrema pobreza, com renda per capita de até R$ 108 mensais, representando 27% do total. Outras 2.696 famílias são classificadas como de baixa renda.

Ao todo, cerca de 49% da população cadastrada vive com renda per capita de até meio salário mínimo, atualmente equivalente a R$ 810,50, dinheiro para alugar uma kitnet .
Programas sociais e rede de proteção
A rede de proteção social em Sidrolândia envolve diferentes programas federais e estaduais. Atualmente, 3.488 famílias recebem Bolsa Família, alcançando 9.997 pessoas. Destas, 707 são famílias assentadas e 420 são indígenas. O benefício médio é de R$ 686,37, com repasses mensais de aproximadamente R$ 2,38 milhões.
Somam-se a esse cenário 1.418 pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
Além dos programas federais, o município conta ainda com cerca de 400 famílias atendidas pelo Vale Renda, programa do Governo do Estado que disponibiliza cartão de R$ 450,00 para compra de alimentos.
Também integram essa rede aproximadamente 2.960 famílias beneficiadas pela isenção do pagamento da conta de energia elétrica, reduzindo custos básicos e ajudando no orçamento doméstico de famílias de baixa renda.
Mercado de trabalho absorve apenas parte da população vulnerável
Os dados do CadÚnico mostram que a vulnerabilidade não está restrita ao desemprego, mas também à baixa renda e à informalidade. Dos 16.190 cadastrados em idade economicamente ativa, apenas 5.018 possuem carteira assinada (31%). Outros 1.247 são servidores públicos e 2.606 trabalham por conta própria.
Ainda assim, 6.811 pessoas aptas ao trabalho não possuem ocupação, o equivalente a 42% da população economicamente ativa cadastrada. Entre as famílias, o quadro se repete: das 11.985 registradas, 4.734 não têm nenhum integrante trabalhando.
Crescimento econômico com geração limitada de empregos
Sidrolândia consolidou-se como um polo agroindustrial, atraindo frigoríficos, usinas e indústrias de biocombustíveis. No entanto, a modernização produtiva reduziu a necessidade de mão de obra.
Na unidade da JBS, a automação eliminou cerca de 200 postos de trabalho. No setor sucroenergético, a mecanização reduziu contratações. A Inpasa, por exemplo, com capacidade para produzir 2,5 bilhões de litros de etanol por ano, opera com cerca de 400 funcionários, ilustrando a alta produtividade com menor geração de empregos diretos.
Ao mesmo tempo, atividades tradicionais perderam força. A Usina Santa Olinda chegou a empregar cerca de 3 mil trabalhadores durante a safra antes de encerrar as atividades em 2013. Mais recentemente, o frigorífico Balbinos, em recuperação judicial, suspendeu os abates, ampliando a incerteza sobre a manutenção dos postos de trabalho.
Assentamentos e transformação do campo
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Sidrolândia possui 4.483 lotes em assentamentos da reforma agrária. Segundo o vice-presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agrário, Alberto Alves de Souza, muitos assentados dependem hoje do arrendamento de terras para complementar a renda.
“Muitos são idosos. Sem o arrendamento, viveriam apenas com aposentadoria ou benefício social”, afirma.
Em regiões como Eldorado 2, Alambari FAF e Jibóia, o avanço da soja e do milho alterou o perfil dos assentamentos, com parte dos lotes sendo arrendados ou vendidos ao longo dos anos.
Contradição entre riqueza e vulnerabilidade
O cenário revela uma contradição central: enquanto Sidrolândia se consolida como uma das economias mais fortes do Estado, com crescimento superior a 300% no PIB, o município ainda convive com altos índices de vulnerabilidade social, dependência de programas assistenciais, presença de favelas, moradores em situação de rua e forte concentração de renda.




