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SIDROLÂNDIA- MS

Famílias contestam valores de desapropriação para abertura de rua e vivem angústia de deixar casas após décadas

Moradores afirmam que os valores oferecidos não garantem condições para reconstruir a vida em outro local.

Redação/Região News

24 de Maio de 2026 - 20:06

Famílias contestam valores de desapropriação para abertura de rua e vivem angústia de deixar casas após décadas
Eliziane Reis. Foto: Marcos Tomé/Região News

A abertura de um novo corredor viário para melhorar o acesso ao Bairro São Bento acabou trazendo insegurança e incerteza para famílias que vivem há décadas na área atingida pelas desapropriações. Enquanto a Prefeitura de Sidrolândia defende a obra como necessária para reorganizar o trânsito e criar novas ligações entre o bairro e a Avenida Dorvalino dos Santos, moradores afirmam que os valores oferecidos não garantem condições para reconstruir a vida em outro local.

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A proposta prevê o prolongamento da Rua Acre até a Rua Taunay, em uma área situada entre os atacarejos Nutrimais e Leve Mais. Para viabilizar o projeto, o município pretende investir R$ 631.385,29 na desapropriação de três imóveis que somam 714 metros quadrados. Os decretos de desapropriação preveem indenizações distintas conforme a metragem de cada imóvel atingido pela abertura do novo corredor viário. O maior terreno, com 252 metros quadrados, foi avaliado em R$ 277.266,96. Já os outros dois imóveis, ambos com 231 metros quadrados, receberam avaliações de R$ 196.790,22 e R$ 157.328,11, respectivamente.

Famílias contestam valores de desapropriação para abertura de rua e vivem angústia de deixar casas após décadas
A proposta prevê o prolongamento da Rua Acre até a Rua Taunay, em uma área situada entre os atacarejos Nutrimais e Leve Mais. Foto: Marcos Tomé/Região News

Apesar disso, para quem mora na região, os números não representam apenas cifras. Eles significam o fim de histórias construídas ao longo de décadas. Moradora da área há cerca de dez anos, Eliziane Reis conta que recebeu a notificação da prefeitura ao voltar do trabalho. Segundo ela, a reunião realizada com o setor jurídico do município trouxe poucas respostas e aumentou a sensação de insegurança.

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“O advogado só repetiu o que estava no papel. O valor é esse e aparentemente não tem negociação”, relata.

Na casa onde vive com o marido, Carlito Velasquez, a indenização prevista gira em torno de R$ 196 mil. Após pesquisar imóveis na cidade, ela concluiu que o valor não seria suficiente para comprar outra residência semelhante na mesma região sem assumir financiamento.

Mesmo procurando bastante, ainda teria que financiar cerca de R$ 30 mil e pagar prestação. E as casas que encontrei ainda precisam de reforma”, afirma.

Além da questão financeira, pesa o vínculo afetivo e a praticidade da localização. Sem veículo próprio, a proximidade de mercados, escolas e posto de saúde é considerada essencial pela família.

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“Aqui é perto de tudo. Meu marido já está com idade avançada. Essa localização facilita muito nossa vida”, diz.

A angústia aumenta porque muitas dessas famílias passaram grande parte da vida esperando pela regularização definitiva dos imóveis. A ocupação da área começou ainda na década de 1970, quando trabalhadores construíram as primeiras casas em um espaço sem documentação oficial. O reconhecimento legal da posse só aconteceu há cerca de três anos.

Entre os moradores históricos está Mário Lino de Souza, de 70 anos, residente no local desde 1977. Foi ali que criou sete filhos e consolidou a vida da família. Um dos filhos, Juvenil Duarte de Souza, mora em um terreno vizinho há aproximadamente duas décadas.

Quando recebeu o título definitivo da propriedade, Mário descreveu o momento como a realização de um sonho construído ao longo de décadas.

“Agora sou proprietário de fato e de direito”, afirmou na época.

Também receberam documentação definitiva moradores como Roseli Catarina da Silva, Diodete de Oliveira e o próprio Carlito Velasquez. Agora, poucos anos após finalmente conquistarem a titularidade dos imóveis, as famílias terão de deixar o lugar onde viveram grande parte da vida.

Segundo o prefeito Rodrigo Basso, os moradores terão prazo inicial de seis meses para desocupação, podendo haver prorrogação. A prefeitura argumenta que o projeto busca melhorar a mobilidade urbana no São Bento, criando três novos acessos ao bairro e implantando binários para reduzir conflitos no trânsito.