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Sidrolandia

Atropelamentos na perimetral evidenciam falta de planejamento

São pouco mais de 20 quilômetros de perimetral e parte dela passa por dentro das aldeias Bororó e Jaguapiru, onde não há nenhum tipo de redutor de velocidade

02 de Agosto de 2014 - 07:26

Sem nenhum tipo de sinalização, redutor de velocidade e de placas que indicam local de área indígena, a Perimetral Norte continua fazendo vítimas em Dourados. Acidente na noite de quinta-feira matou o caiuá Isaías Brites, de 42 anos. Ele seguia de bicicleta em companhia do irmão pela rodovia e, ao atravessar a pista, foi atropelado por um veículo. Morreu horas depois no Hospital da Vida.

Há duas semanas, a caiuá Lenilza Nunes Fernandes também foi atropelada na perimetral e morreu um dia depois, após sofrer sete paradas cardíacas. Os indígenas fecharam a estrada por cinco dias e foram à capital negociar redutores de velocidade para as entradas das aldeias Jaguapiru e Bororó, cortadas pela rodovia.

A perimetral norte inicia no entroncamento da BR-163, de acesso a Fátima do Sul, corta a MS-156 e segue até o entroncamento da rodovia Guaicurus, de acesso à Cidade Universitária e aeroporto. De lá ela segue até a BR-463, de acesso a Ponta Porã e região sul do Estado.

São pouco mais de 20 quilômetros de perimetral e parte dela passa por dentro das aldeias Bororó e Jaguapiru, onde não há nenhum tipo de redutor de velocidade.

Inaugurada em julho de 2012, a perimetral era um sonho da comunidade que pedia o desvio do tráfego pesado de veículos do interior da cidade. Deu certo, porém, a Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) “se esqueceu” que a rodovia cortaria a Reserva Indígena do município.

“Sabemos que a rodovia é importante para a cidade, mas antes de sua construção seria necessário que a comunidade indígena fosse ouvida. Ela [rodovia] está aí com a sua importância, mas fazendo vítimas”, diz o presidente do Conselho Indígena, o caiuá Silvano da Silva Duarte. Quando Lenilza morreu atropelada, no dia 20 de julho, ele reuniu a comunidade e bloqueou a rodovia. “Fizeram a perimetral, mas não pensaram que ao lado dela moram milhares de famílias indígenas”, criticou. Moram nas aldeias de Dourados mais de 13 mil índios.

Semana passada, lideranças indígenas foram até o gabinete do governador André Puccinelli para pedir o “conserto” da rodovia. Ficou decidido que técnicos da Agesul farão uma análise do tráfego no setor crítico da Perimetral para definir a necessidade de atender a colocação de lombadas, reivindicada pelos indígenas. De imediato, o Estado instalará sinalização horizontal e vertical e sistema de sonorizadores, dispositivo sobre a superfície da pista, de modo que provoque ruído quando o veículo passa sobre ele, alertando o condutor para uma situação atípica à frente, tais como obras, passagem de nível.

Silvano é um dos intermediadores das sinalizações. Segundo ele, a equipe de engenheiros da Agesul já esteve na Perimetral e prometeu colocar os sinais de trânsito na semana que vem.

Não está previsto, de imediato, a implantação de quebra-molas para passagem de pedestre, como existe na MS-156, que também corta a reserva indígena.

Após a implantação desse sistema, o índice de atropelamento caiu em 100% na rodovia, pois ele obriga o condutor a reduzir a velocidade, diferentemente do sonorizador a ser colocado na perimetral, que serve apenas para alerta do motorista a uma situação atípica.