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Sidrolandia

Dilma recebe Cartes com a incógnita do retorno do Paraguai ao Mercosul

Até julho de 2012, o Paraguai era o único país do Mercosul que não tinha aprovado o ingresso da Venezuela, referendado antes pelos outros três membros

Uol Notícias

29 de Setembro de 2013 - 21:23

O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, fará nesta segunda-feira, sua primeira visita ao Brasil ainda sem ter decidido se retornará ao Mercosul, apesar do fim da suspensão imposta ao país pelo bloco após a cassação de Fernando Lugo.

Cartes será recebido com honras de Estado pela presidente Dilma Rousseff, que, desde que se realizaram as eleições do dia 21 de abril no Paraguai, defendeu a plena reincorporação desse país ao Mercosul.

Junto com Brasil, Argentina e Uruguai, o Paraguai é um dos quatro membros fundadores do bloco, que incorporou a Venezuela no dia 29 de julho de 2012, mesmo dia em que decidiu pela primeira vez aplicar a chamada "cláusula democrática" e suspender um de seus sócios.

O Paraguai foi sancionado depois da cassação do então presidente Lugo, que o bloco interpretou como uma "ruptura da ordem democrática", que considerou "perdoada" depois com as eleições de abril.

Embora afirme que o Paraguai "nunca" tenha se afastado do bloco, Cartes ainda não deu o passo formal para a reincorporação, entre outros motivos porque seu país ainda não resolveu o imbróglio político que representou a entrada da Venezuela, que, além disso, exerce até o final do ano a presidência rotativa do bloco.

Até julho de 2012, o Paraguai era o único país do Mercosul que não tinha aprovado o ingresso da Venezuela, referendado antes pelos outros três membros.

Mas, depois da cassação de Lugo, e embora o país estivesse suspenso do bloco, o Senado paraguaio debateu finalmente a adesão da Venezuela ao Mercosul e a rejeitou, uma decisão que agora tenta reverter, a fim de superar esse atoleiro jurídico.

Segundo o Itamaraty, o Mercosul será um dos assuntos centrais da reunião entre Dilma e Cartes em Brasília, no marco de sua segunda viagem a um país do bloco, após a visita que fez à presidente argentina, Cristina Kirchner, no último dia 10 de setembro.

"Os presidentes revisarão os principais temas da agenda regional, com uma especial atenção no Mercosul, e darão continuidade ao diálogo sobre a ampla agenda bilateral, com ênfase na cooperação técnica, desenvolvimento fronteiriço, infraestrutura e comércio", afirmou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

A nota também citou "as perspectivas de ampliação" que existem para a cooperação entre os países nas áreas de saúde, segurança pública, agricultura, turismo, defesa e tecnologias sociais centradas em programas que ajudem a reduzir a pobreza.

Além disso, ressaltou que a troca comercial entre Brasil e Paraguai somou US$ 3,6 bilhões em 2012, quando a exportação de produtos paraguaios ao mercado brasileiro cresceu 38%.

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, antecipou esta semana que, para o governo de Cartes, um dos assuntos de maior interesse com o Brasil é o aumento do comércio e da segurança nas áreas fronteiriças.

Também citou o projeto para a construção de uma segunda ponte entre os países sobre o Rio Paraná, que uniria a cidade paraguaia de Presidente Franco com Foz do Iguaçu.

A construção dessa ponte foi estipulada em 2008, quando seu custo foi calculado em US$ 60 milhões, que seriam financiados inteiramente pelo Brasil, mas o projeto se mantém estagnado desde então.

Loizaga também confirmou que, após a visita ao Brasil, Cartes viajará nos próximos dias ao Uruguai, onde se reunirá com o presidente José Mujica e concluirá sua primeira rodada de contatos diretos com os líderes dos países fundadores do Mercosul.