Logomarca

Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Sábado, 29 de Janeiro de 2022

Sidrolandia

Etanol substitui álcool no bife na chapa e mantém tragédias no churrasco

Bastou jogar uma tampa de etanol na chapa para provocar a explosão. O fogo atingiu o galão de combustível, que estava ao lado.

Campo Grande News

10 de Outubro de 2013 - 17:00

Muito usado para acender churrasqueira e a chapa utilizada para fazer bife, o álcool liquido, que teve a venda proibida, foi substituído pelo etanol. No mês passado pelo menos cinco pessoas, em Campo Grande, sofreram queimaduras de 2º e 3º grau durante o manuseio do combustível.

Internado há mais de um mês na Santa Casa, Édipo da Silva Chaves, 25 anos, queimou 50% do corpo, quando participava de uma festa com os amigos no dia 8 de setembro, no conjunto Rancho Alegre. Na ocasião, quatro pessoas ficaram feridas, duas já tiveram alta.

Édipo, que trabalha como marceneiro, queimou os braços e o tronco, mas foram as pernas mais atingidas. Ele vai precisar fazer enxerto, procedimento cirúrgico para tratamento de sequelas de queimaduras, e não tem prazo para sair do hospital.

O paciente, que estava junto com a esposa, conta que era a primeira vez que participava de um bife na chapa com os amigos. “A gente já tinha feito a primeira rodada, quando o colega resolveu colocar mais álcool no recipiente”, diz.

Bastou jogar uma tampa de etanol na chapa para provocar a explosão. O fogo atingiu o galão de combustível, que estava ao lado. “Após o acidente, quem estava próximo ficou com o corpo em chamas”, relembra Édipo, acrescentando que na hora foi um desespero total das pessoas, que não haviam sido atingidas, tentando apagar o fogo.

A mesma coisa aconteceu com Leonardo Campos de Almeida, 18 anos, que também foi acender o bife na chapa com etanol. O jovem comemorava o aniversário no dia 20 de setembro, em casa na Vila Popular, quando despejou o liquido do galão no recipiente e houve a explosão.

Acostumado a mexer na chapa, Leonardo conta que comprou o combustível em um galão por R$ 5 no posto de gasolina. Ele havia acendido o recipiente, quando apagou o fogo para cumprimentar os amigos.

Ao voltar para acender, Leonardo não viu que ainda tinha fogo na chapa. “Foi questão de segundos. Bastou colocar o liquido para acontecer a explosão”, relembra, dizendo que com o impacto foi lançado a 15 metros da onde estava.

O jovem afirma que ficou com trauma e no dia do acidente relembra das pessoas colocando pano molhado em seu corpo para apagar as chamas. “Nos primeiros minutos não doeu, mas depois a dor é terrível”, diz Leonardo, que teve queimaduras de 2º e 3º grau nos braços e na barriga.

A cirurgiã plástica Renata Ferro, que trabalha no ala de queimados da Santa Casa, explica que a recuperação de uma pessoa vítima de queimadura é lenta, além da sequela estética, tem danos psicológicos.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, desde o dia 1º de janeiro até hoje, foram atendidos no hospital 301 pessoas, entre crianças e adultos, vítimas de algum tipo de queimadura, e na maioria, acidentes que poderiam ter sido evitados.

A médica conta depois que o álcool foi proibido, o pessoal começou a usar o etanol para acender churrasqueiras e chapas. “Teve um tempo que de 10 pacientes que davam entrada no pronto socorro, 8 eram vítimas de acidente com a chapa”, destaca.

O acidente ocorre por conta do uso do combustível, colocado em um recipiente embaixo da chapa, para manter o fogo aceso. O Corpo de Bombeiros alerta que nenhum tipo de líquido inflamável deve ser usado para acender fogo. O indicado é umedecer uma bola de papel com óleo de cozinha.

Ainda na lista dos acidentes mais frequentes, também estão o manuseio de líquidos quentes, queimaduras por eletricidade e fogos de artifício. "O acidente ocorre em questão de segundos, no entanto o tratamento pode durar para a vida toda, acrescenta a médica. Renata cita o exemplo de um paciente, que teve várias queimaduras quando tinha 9 meses. Hoje, a criança com 8 anos, ainda precisa passar por cirurgia de reparação.

Proibido - Em fevereiro deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a fabricação, distribuição e venda, de álcool líquido de alta graduação. Pela norma o álcool com graduação maior que 54º GL é vendido na forma de gel.