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Sidrolandia

Milhares de pessoas comparecem às despedidas das crianças assassinadas no Rio

Um helicóptero da Polícia Civil prestou homenagem às vítimas lançando pétalas de rosas sobre o cemitério.

Extra

08 de Abril de 2011 - 14:19

Cerca de duas mil pessoas acompanharam os sepultamentos de quatro vítimas do ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, nesta sexta-feira, no Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. O primeiro enterro foi o de Larissa dos Santos Atanásio, de 13 anos. Karine Lorraine Chagas de Oliveira e Luiza Paula da Silveira Machado, ambas de 14 anos, foram sepultadas juntas.

Rafael Pereira da Silva, de 14, foi o último a ser enterrado, e, à frente do cortejo, amigos do rapaz carregavam faixas de protesto, reivindicando aos governantes mais segurança nas escolas. Algumas pessoas precisaram de atendimento médico.

No Cemitério do Murundu, em Realengo, pelo menos 60 pessoas passaram mal ao longo dos velórios de Laryssa Silva Martins, Mariana Rocha de Souza e Géssica Guedes Pereira. Oito delas tiveram que ser transferidas para a Clínica da Família Olympia Esteves, no mesmo bairro. A maioria teve queda súbita de pressão ou crises de hipertensão.

Entre elas estava Noeli Rocha, mãe de Mariana, que teve que ser levada de ambulância e não acompanhou o enterro da filha. Às 4h, estão previstos os sepultamentos de Bianca Rocha e Milena dos Santos Nascimento, também no cemitério do Murundu. O corpo de Géssica Guedes foi levado para o cemitério de Ricardo de Albuquerque, onde será enterrado.

Há 25 profissionais da Secretaria Municipal de Saúde no cemitério. Ainda há pouco, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, chamou de "fato isolado de uma pessoa fora de suas faculdades mentais" o ataque ocorrido na manhã de quinta-feira:

- Qualquer especulação é temerária, qualquer tipo de diagnóstico é pequeno diante a dor e da monstruosidade.

Perguntado se apoiava uma nova campanha para o desarmamento, Beltrame concordou:

- Toda campanha que efetivamente mostre resultado é bem-vinda. Dizer que essas coisas (o massacre na escola) nunca mais vão acontecer é leviano.

Um helicóptero da Polícia Civil prestou homenagem às vítimas lançando pétalas de rosas sobre o cemitério.

Cerca de 100 mototaxistas de pontos da região de Realengo também estiveram nos dois cemitérios. Em Sulacap, eles ergueram cartazes pedindo paz. O grupo, ajoelhado, fez uma oração e um minuto de silêncio em frente às capelas.

A chefe de polícia Civil, Martha Rocha, prestou solidariedade às famílias.

- É uma tragédia que abalou toda a cidade. Vim dar um abraço às famílias. Agora é hora de confortá-las. Não há nada que possa reparar essa perda - disse Paes.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, compareceu aos dois cemitérios e percorreu as capelas. Em Sulacap, alguns presentes criticaram a falta de segurança no colégio. Paes também fez uma visita de 15 minutos ao cemitério do Murundu, onde prestou solidariedade às famílias de Larissa Silva Martins e Mariana Rocha de Souza, duas das 12 vítimas da chacina.

O prefeito, perguntado sobre que tipo de assistência dará aos familiares e aos alunos da escola daqui em diante, disse que elas deverão precisar de atendimento psicológico especializado. E que seu secretariado irá se reunir para definir as estratégias de assistência.

- Cheguei em casa, e a primeira pergunta que meus dois filhos fizeram foi "vem cá, como pode um homem entrar na escola e matar essa gente toda?" Fiz por bem explicar - disse Paes com lágrimas nos olhos.

A Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS) informou que disponibilizou o custeio de todos os sepultamentos para as famílias que desejarem. As equipes do órgão vão continuar, nesta sexta-feira, com o trabalho de apoio às famílias. Além da assistência psicológica na escola, nos hospitais para onde foram encaminhados os feridos e no Instituto Médico Legal, os profissionais estão auxiliando os familiares no processo de reconhecimento dos corpos e nos trâmites necessários para os sepultamentos.

Em Sulacap, parentes da menina Luiza Paula da Silveira contaram que ela, por volta de 8h da manhã, tentou se comunicar pelo celular com os pais. Segundo uma tia, o pai da menina tentou retornar as ligações sem sucesso. Logo depois, souberam que a menina estava morta.

A família de outra vítima, Larissa Santos Atanásio, não quis falar com a imprensa por estar muito abalada, mas o tio-avô Jorge Luiz Torres contou que soube do episódio por comentários no trabalho, e que o avô da menina, seu irmão, Carlos Roberto Torres, foi avisado por ele do que tinha acontecido. A família, por algumas horas, ainda chegou a pensar que ela tinha levado apenas um tiro no ombro e que passava bem em algum hospital da cidade. As buscas por Larissa se encerraram no final do dia, quando o pai reconheceu seu corpo no IML.

Durante a madrugada, amigos, vizinhos, religiosos e familiares prestaram homenagens às 12 crianças mortas. Na porta do colégio, na Rua General Bernadino de Matos, foram colocados vasos de flores, um para cada vítima. Jovens acenderam velas e colocaram cartazes na parede. E também oraram.

Uma lista com os nomes das vítimas da chacina foi divulgada na tarde desta quinta-feira.O massacre contabiliza 13 mortos, sendo dez meninas e dois meninos, além do assassino, Wellington Menezes. Ao todo, 12 vítimas permanecem internadas em seis hospitais,sendo dez meninas e dois meninos. Desse total, três estão em estado grave e um deles já recebeu alta hospitalar.

Dois policiais militares passaram a noite no colégio, que ficou lacrado. As aulas estão suspensas. Nesta manhã, funcionários fazem a limpeza da unidade de ensino.