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Sidrolandia

Na reabertura dos bancos, pouca gente e muitas histórias de prejuízo após 21 dias de greve

O saldo do movimento é de vitória dos bancários e prejuízo para muitos clientes, especialmente aqueles mais humildes, que dependem do atendimento na boca do caixa

Flávio Paes/Região News

27 de Outubro de 2015 - 11:00

Os bancos reabriram nesta terça-feira, após 21 dias de greve dos funcionários que voltaram ao trabalho após terem conquistado um reajuste salarial de 10%. Ao contrário dos que se esperava, pelo menos nas primeiras horas de funcionamento das agências, não há registro de filas extensas. Na agência do Bradesco, por exemplo, alguns clientes ficaram do lado de fora, em decorrência do banco funcionar num prédio pequeno para abrigar mais do que 15 pessoas em fila. 

O saldo do movimento é de vitória dos bancários e prejuízo para muitos clientes, especialmente aqueles mais humildes, que dependem do atendimento na boca do caixa porque tem dificuldade de lidar com o auto-atendimento ou transferências pela internet.

As três  semanas sem atendimento (foram 14 dia úteis)  trouxeram problemas para pessoas como dona Virgilia Marcelino Vicente, 60 anos, viúva há 5 anos, que só hoje vai conseguir sacar seu benefício, uma pensão por morte de aproximadamente um salário e meio. Ela precisou ir a agência, porque seu cartão bloqueou e não conseguiu receber seu dinheiro. Virgília mora no Jardim Jandaia, muito raramente vai à agência bancária, prefere recorrer ao caixa eletrônico do Bradesco mais perto da sua casa, o instalado na loja de material de Construção Constru&Cia.

Situação que ganhou contorno de dramaticidade foi a enfrentada pelo assentado do Alambari CUT, Ruiz Santana Teixeira, 38 anos. Ele estava com dinheiro na conta, mas não consegui tirar pois não tem cartão e só faz saque na boca do caixa. Resultado, seu nome foi negativado no SPC, Serasa  porque não conseguiu pagar a prestação do financiamento do seu carro, um Fiat Uno, modelo 2010/2011.O assentado tem uma renda média de R$ 1 mil, resultado da produção que consegue colher do seu lote onde cultiva uma horta.

Acordo

A maior parte dos bancários, em assembleias na noite de ontem, aceitou o acordo proposto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que ofereceu reajuste de 10% sobre os salários, a participação nos lucros e resultados (PLR) e o piso da categoria. Com o reajuste de 10 % sobre a PLR, os bancários garantiram que a parcela adicional será de 2,2% do valor do lucro líquido, distribuído linearmente. Também foi proposto um reajuste de 14% para os vales-refeição e alimentação.

De acordo com a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, com esse índice, em 12 anos, será possível acumular 20,83% de ganho real nos salários e 42,3% nos pisos. Para ela, esta paralisação "foi uma das mais fortes dos últimos anos e a conquista foi consequência da nossa luta e mobilização".

Os bancos aceitaram abonar parte das horas não cumpridas durante a greve e os funcionários vão trabalhar uma hora a mais  entre os 4 de novembro e  15 de dezembro, mas apenas para serviço interno, sem atendimento ao público.