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Sidrolandia

Produtores denunciam novas ocupações, furto de gado e cobram ação da Força Nacional

A vinda do ministro teve como objetivo encontrar uma solução para o conflito agrário no Estado, que hoje acumula 67 propriedades rurais reivindicadas por indígenas.

Flávio Paes/Região News

01 de Outubro de 2013 - 07:39

Produtores rurais da região da Reserva Indígena Buriti, onde os terena reivindicam 15 mil hectares distribuídos em 31 propriedades, reclamam da inoperância da Força Nacional embora tenha destacado 110 homens para atuar na zona conflito. Mesmo com este aparato estão ocorrendo furtos de gado, além de ameaças e intimidações que os fazendeiros acreditam partirem de indígenas. 

A proprietária da Fazenda Quintandinha, localizada em Dois Irmãos do Buriti e fora da área requisitada pelos indígenas, Dalva Malaquias Ferreira, denuncia que ela e sua família está sendo alvo das constantes ameaças, furtos e intimidações dos indígenas na propriedade.

"Eu não tenho sossego. Os indígenas capturam meu gado, dão tiro, carneiam e levam meus animais. Já acionei a Força Nacional por duas vezes e a recomendação que tive era para levar os animais para outra área e tomar cuidado. Ou seja, eu não tenho para quem pedir ajuda".

Além destas intimadas os produtores reclamam que desde a vinda do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo à Campo Grande, no dia 13 de agosto, 11 fazendas foram invadidas em Mato Grosso do Sul. A vinda do ministro teve como objetivo encontrar uma solução para o conflito agrário no Estado, que hoje acumula 67 propriedades rurais reivindicadas por indígenas.

Na avaliação dos produtores rurais entidades, que se reuniram ontem  na sede da entidade para avaliar o cenário das invasões de terras, a visita de um representante do governo federal não teve o efeito previsto.

“É uma falta de vontade do governo federal com a situação que o produtor do nosso Estado enfrenta para conseguir trabalhar. A impressão que fica é de que eles vão empurrando com a barriga para se livrar do problema e deixar a bomba estourar na mão dos próximos gestores”, avalia Newley Amarilla, advogado dos produtores rurais que tiveram fazendas invadidas na divisa dos municípios de Dois Irmão do Buriti e Sidrolândia – núcleo da zona de conflito no Estado, onde fica a Reserva Indígena Buriti – e em Aquidauana.

A questão da Buriti se arrasta há 12 anos, entre ordens de reintegração de posse e invasões, até que o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), entendeu que as áreas não são indígenas. Ainda assim, os índios mantiveram as invasões.

Incentivo às invasões – Na visão do advogado, os únicos prejudicados são os produtores rurais porque, enquanto a União não estabelece solução para os conflitos, os índios continuam nas fazendas.

“Enquanto os índios estão lá, o produtor fica impedido de trabalhar. Eles deveriam esperar do lado de fora por um parecer do governo federal, mas ficam na terra”, disse Amarilla.

“A invasão bem sucedida de uma propriedade é um incentivo para que outras áreas também sejam invadidas. Isso precisa acabar para que Mato Grosso do Sul volte a ser bom para o produtor rural, como já foi um dia”, concluiu o advogado.